Aos 37 anos, o ribeirinho construiu com madeira um jet ski de 4,5 metros e 38 cavalos gastando menos de R$ 1.000, rodou no rio da própria comunidade, viralizou, e acabou recebendo a visita da Marinha, que embargou os testes
O projeto amazônico misturou carpintaria tradicional e mecânica adaptada, mas a repercussão abriu uma etapa técnica que ainda precisa ser concluída.
O jet ski nasceu no estaleiro local de um pescador de 37 anos, unindo carpintaria ribeirinha, peças adaptadas e um motor de motocicleta. Quando os vídeos dos testes ganharam milhões de visualizações, a visita da Marinha mudou o cronograma da embarcação.
Quem construiu o jet ski de madeira?
Cristiano Gonçalves, 37, é pescador e carpinteiro naval em Abaetetuba, no Pará. Conhecido como Cris Jet, ele mantém um estaleiro no Rio Anequara, onde fabrica rabetas e lanchas.
A carpintaria veio da família, e parte do projeto foi pesquisada na internet. Cristiano filmou a construção e os testes; as publicações somaram milhões de visualizações e chegaram à televisão.

Como a embarcação artesanal foi montada?
A estrutura de madeira, inspirada em modelos da Sea-Doo, mede cerca de 4,5 metros. Ela recebeu motor de motocicleta com 38 cavalos, eixo sob o assento e peças de direção adaptadas.
Entradas dianteiras ajudam a resfriar o motor, sem refrigeração a água. A revista Náutica informou peso aproximado de 200 quilos e um ano de trabalho entre carpintaria, instalações e testes.
O que os números do projeto mostram?
O gasto inferior a R$ 1.000 foi divulgado sem orçamento detalhado. O valor não equivale ao preço de reprodução, pois as fontes não discriminam mão de obra, motor nem peças reaproveitadas.
“Jet Ski” é marca usada popularmente para veículo aquático pessoal. No projeto paraense, comprimento, madeira e mecânica adaptada fogem do padrão industrial, embora o formato lembre uma moto aquática.
Os dados divulgados podem ser separados assim:
Por que os testes pararam após a visita da Marinha?
A Marinha do Brasil visitou o estaleiro para orientar e fiscalizar a regularização da embarcação. Cristiano pausou os testes enquanto conclui o acabamento, inclui itens de segurança e providencia documentos.
As reportagens não exibem auto formal de embargo, apreensão ou proibição definitiva. A frase “embargou os testes” resume o episódio, mas o registro disponível descreve suspensão temporária anunciada pelo construtor.
A regularização passa por três definições básicas:
A embarcação artesanal pode voltar a navegar?
Sim, a pausa foi apresentada como temporária, mas a retomada depende da Capitania. A Diretoria de Portos e Costas mantém normas distintas para embarcações de esporte e recreio e para motos aquáticas.
O apelido das redes não define a categoria. A autoridade considera propulsão, direção, dimensões e uso; só então determina documentos, habilitação e equipamentos obrigatórios.
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O que o caso ensina sobre inovação ribeirinha?
O projeto reúne carpintaria tradicional e soluções mecânicas adaptadas por Cristiano. Onde os rios funcionam como vias, ele mostra que a carpintaria naval amazônica ainda pode criar novos formatos.
O caso separa construir algo que navega de comprovar operação segura. A repercussão acelerou a fiscalização, e a regularização pode devolver a ideia ao rio sem transformar criatividade em dispensa de regras.
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