Anaconda gigante encontrada na Amazônia pertence a espécie separada há 10 milhões de anos e impressiona cientistas
O tamanho do animal e sua origem chamaram atenção dos pesquisadores
Duas anacondas verdes podem parecer iguais mesmo após seguirem caminhos separados por milhões de anos. Uma expedição na Amazônia encontrou exemplares gigantes e ajudou cientistas a reconhecer a anaconda gigante do norte como uma espécie ligada a uma linhagem separada há cerca de 10 milhões de anos.
Onde a anaconda gigante foi encontrada?
Os pesquisadores estudaram anacondas na região de Bameno, dentro do território indígena Baihuaeri Waorani, na Amazônia do Equador. Caçadores do povo Waorani guiaram a equipe durante uma expedição de 10 dias pelos rios da floresta.
A equipe encontrou vários animais escondidos em áreas rasas. Uma das fêmeas medidas chegou a 6,3 metros de comprimento, segundo o relato da Universidade de Queensland sobre a expedição amazônica.

O que diferencia essa anaconda das outras sucuris verdes?
A maior diferença aparece no DNA. Os pesquisadores encontraram cerca de 5,5% de diferença genética entre as anacondas verdes que vivem ao norte e as encontradas mais ao sul da América do Sul.
Por fora, porém, elas são quase iguais. Estas características ajudam a entender o caso:
Como os cientistas descobriram uma espécie escondida?
Os cientistas compararam amostras genéticas de anacondas recolhidas em 9 países. Depois, montaram uma árvore evolutiva, desenho que mostra como grupos de animais se separaram ao longo do tempo.
O resultado revelou 2 grandes linhagens entre as anacondas verdes. A população do norte recebeu o nome científico Eunectes akayima, enquanto a população do sul continuou como Eunectes murinus.
A identificação passou por estas etapas:
- Coleta: pesquisadores reuniram amostras de animais de várias partes da América do Sul.
- Sequenciamento: o DNA foi lido para encontrar diferenças entre as populações.
- Comparação: os dados revelaram 2 grupos genéticos separados.
- Datação: modelos calcularam quando as linhagens começaram a se afastar.
- Nomeação: o grupo do norte recebeu o nome Eunectes akayima.
A anaconda encontrada tinha 7,5 metros e 500 quilos?
A maior fêmea medida diretamente pela equipe tinha 6,3 metros. Os números de 7,5 metros e cerca de 500 quilos vieram de relatos dos Waorani sobre outros animais vistos na região, não de uma medição científica publicada.
A diferença entre as informações confirmadas e os relatos aparece abaixo:
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A nova espécie já é aceita por todos os cientistas?
A classificação ainda provoca debate. Os autores do estudo que descreveu a Eunectes akayima defendem que a diferença genética e a história evolutiva justificam uma espécie própria.
O registro taxonômico do The Reptile Database, porém, ainda trata Eunectes akayima como sinônimo provisório de Eunectes murinus. O motivo é a falta de uma diferença física clara que permita separar as 2 apenas pela aparência.
As anacondas pareciam iguais por fora, mas o DNA guardava uma história iniciada milhões de anos antes.
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