Ambicioso plano da Arábia Saudita investe 500 bilhões de dólares no meio do deserto para criar edifício linear de 170 km de comprimento abrigando até 9 milhões de pessoas
Com 500 bilhões de dólares, The Line quer abrigar 9 milhões em modelo compacto com IA, trem rápido e dessalinização
THE LINE parece saída de ficção científica, mas faz parte de um plano real da Arábia Saudita para reduzir a dependência do petróleo e entrar na era das megacidades sustentáveis com uso intensivo de tecnologia e energia limpa.
O que é The Line e qual o objetivo da Arábia Saudita com esse projeto?
The Line é o coração da iniciativa NEOM, criada para diversificar a economia saudita em um mundo que caminha para energias renováveis. Em vez de uma cidade espalhada, propõe um único edifício linear de cerca de 170 km de comprimento, 200 m de largura e 500 m de altura no meio do deserto.
Com custo estimado em 500 bilhões de dólares, o projeto quer funcionar como vitrine global do país, misturando urbanismo compacto, alta tecnologia e promessa de baixa emissão de carbono. A meta é atrair investimentos, turistas, talentos e reposicionar a imagem da região no cenário internacional.
Quais são os principais desafios para construir uma cidade linear no deserto?
Transformar o conceito em realidade exige encarar um traçado que atravessa vales, montanhas e cânions, demandando soluções de engenharia gigantescas. Na prática, seria como erguer milhares de prédios de 500 metros de altura alinhados, com entrega parcial prevista até 2030, prazo considerado apertado.
Além da topografia, há o desafio de manter uma obra contínua por centenas de quilômetros, coordenando materiais, mão de obra e tecnologia em pontos remotos. Construção modular, automação pesada e monitoramento digital serão centrais para reduzir falhas em um ambiente extremo e caro de operar.
Assista ao vídeo do canal O Canal da Engenharia para mais detalhes da construção:
Como The Line pretende garantir água e energia em um ambiente árido?
Para abastecer milhões de moradores, The Line deve recorrer a usinas de dessalinização no Mar Vermelho, região de alta salinidade que torna o processo intensivo em energia, mas gera subprodutos como sal para uso industrial. A promessa é combinar essa infraestrutura com uma grande capacidade de geração renovável.
A região enfrenta amplitudes térmicas de 0 °C a 50 °C, exigindo sistemas eficientes de controle de temperatura. Fachadas espelhadas ajudariam na refrigeração natural e na integração visual com o deserto, mas trazem desafios como colisão de aves, acúmulo de areia e manutenção constante das superfícies.
Como deve funcionar uma cidade sem carros comandada por inteligência artificial?
Uma das maiores apostas de The Line é eliminar automóveis particulares, substituídos por um trem de alta velocidade ao longo da estrutura, capaz de percorrer toda a extensão em cerca de 20 minutos. A lógica é manter tudo perto, com deslocamentos rápidos e concentrados em um único eixo de transporte.
Para integrar transporte, água, energia e serviços urbanos, a proposta é usar inteligência artificial em larga escala. Entre as funções previstas da IA, destacam-se:
Monitoramento de trens e passageiros
O sistema acompanha o trem e os fluxos de passageiros para reduzir congestionamentos internos e melhorar a circulação nas áreas de embarque.
Equilíbrio entre solar e eólica
A rede pode equilibrar automaticamente fontes solar e eólica, priorizando uma matriz mais limpa e reduzindo a dependência de energia convencional.
Dessalinização, distribuição e reuso
A água é gerenciada com foco em dessalinização, distribuição eficiente e reuso, buscando reduzir desperdícios em cada etapa do processo.
Dados integrados em uma plataforma
Saúde, segurança e limpeza podem ser conectadas em uma única plataforma de dados, facilitando decisões rápidas e operação coordenada.
Climatização e iluminação sob demanda
Ambientes podem ter climatização e iluminação ajustadas conforme a ocupação de cada área, melhorando conforto e reduzindo consumo desnecessário.
Por que The Line é um laboratório de urbanismo e quais cenários existem para o futuro?
Enquanto cidades tradicionais se expandem horizontalmente, The Line aposta em um desenho tridimensional compacto, prometendo acesso a serviços essenciais em até cinco minutos a pé. Moradia, trabalho, lazer e áreas verdes seriam empilhados em camadas verticais, com jardins suspensos e passarelas internas.
O projeto ocupa cerca de 5% da área de uma cidade convencional para 9 milhões de habitantes, o que o torna um experimento radical de adensamento. Ele pode inspirar novos modelos urbanos, mas também corre o risco de virar apenas marketing se não avançar, testando os limites do que é possível construir e manter em um dos ambientes mais duros do planeta.
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