A quase 11 km de profundidade, esta região do oceano suporta uma pressão equivalente a milhares de toneladas
O ponto mais profundo da Terra transforma a água em uma força capaz de esmagar estruturas construídas para profundidades comuns
A superfície do Pacífico pode parecer tranquila, mas abaixo dela existe uma descida tão longa que montanhas inteiras desapareceriam antes de alcançar o fundo. No ponto final desse caminho, a água deixa de ser apenas um ambiente e se transforma em uma carga capaz de destruir estruturas comuns em uma fração de segundo.
Onde fica o ponto mais profundo conhecido dos oceanos?
O local é chamado Challenger Deep e ocupa uma depressão na extremidade sul da Fossa das Marianas, no Pacífico Ocidental, perto das ilhas Marianas. Medições modernas indicam uma profundidade máxima próxima de 10.935 metros abaixo do nível médio do mar, com uma margem de incerteza de alguns metros.
A Fossa das Marianas é muito maior do que essa depressão específica. Ela forma uma longa cicatriz submarina criada pelo encontro de placas tectônicas, onde a Placa do Pacífico mergulha sob outra placa. Esse processo de subducção puxa a crosta oceânica para baixo e cria algumas das maiores profundidades existentes no planeta.
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Qual é a pressão oceânica encontrada a quase 11 quilômetros?
No fundo do Challenger Deep, a pressão ultrapassa mil vezes o valor sentido ao nível do mar. Medições realizadas com instrumentos oceanográficos registraram valores próximos de 11.161 decibares, equivalentes a aproximadamente 111 megapascais ou cerca de 1.100 atmosferas. Essa é a resposta por trás da aparência tão hostil do local.
Os números ajudam a visualizar a dimensão do ambiente:
- Profundidade máxima próxima de 10.935 metros
- Pressão superior a mil atmosferas
- Aproximadamente oito toneladas de força por polegada quadrada
- Temperatura da água próxima de poucos graus acima de zero
- Ausência completa de luz solar
- Distância vertical maior que a altura do Monte Everest
No vídeo “Mariana Trench: Record-breaking journey to the bottom of the ocean”, o canal BBC News mostra a descida de Victor Vescovo ao Challenger Deep e apresenta os desafios enfrentados por um submersível projetado para alcançar o ponto mais profundo do oceano.
Por que a pressão aumenta tanto durante a descida?
A cada metro percorrido, uma quantidade maior de água fica acumulada acima do objeto. Como a água possui massa, seu peso gera uma força sobre todas as superfícies expostas. A pressão cresce aproximadamente uma atmosfera a cada dez metros de profundidade, embora o cálculo exato também dependa da densidade, da salinidade e da gravidade local.
O efeito não atua apenas de cima para baixo. Em um líquido, a pressão é transmitida em todas as direções, comprimindo simultaneamente as laterais, a parte superior e a base de uma estrutura. Então, um veículo submarino não precisa apenas sustentar uma coluna vertical de água: todo o casco deve resistir à tentativa constante de esmagamento.
O que os números da pressão oceânica representam na prática?
Comparações com jatos comerciais ajudam a transmitir a escala, mas precisam indicar a área sobre a qual a força está sendo calculada. Pressão não é um peso total aplicado sobre uma pessoa como uma pilha de aviões. Ela representa a força distribuída sobre cada unidade de área do corpo ou do equipamento.
| Profundidade | Pressão aproximada | Condição do ambiente | Exigência tecnológica |
|---|---|---|---|
| 10 metros | Cerca de 2 atmosferas no total | Profundidade acessível a mergulhadores treinados | Equipamentos convencionais de mergulho |
| 1.000 metros | Cerca de 100 atmosferas adicionais | Escuridão permanente e água fria | Veículos e sensores preparados para alta pressão |
| 4.000 metros | Cerca de 400 atmosferas adicionais | Planícies abissais profundas | Cascos reforçados e eletrônica protegida |
| 6.000 metros | Cerca de 600 atmosferas adicionais | Início da zona hadal | Submersíveis desenvolvidos para grandes fossas |
| 10.935 metros | Mais de 1.000 atmosferas | Fundo do Challenger Deep | Cápsulas especiais testadas para profundidade total |
Segundo a NOAA Ocean Exploration, a pressão no ponto mais profundo chega a aproximadamente oito toneladas por polegada quadrada. Portanto, a comparação com dezenas de aviões só faria sentido ao considerar a força total exercida sobre uma área corporal inteira, e não como um peso concentrado em um único ponto.
Como um submersível resiste a uma força tão esmagadora?
A parte ocupada pelos tripulantes costuma ter formato esférico porque a esfera distribui a pressão de maneira mais uniforme e reduz pontos de concentração de tensão. Materiais como titânio são utilizados em cascos de grande profundidade por combinarem resistência, menor suscetibilidade à corrosão e capacidade de suportar ciclos repetidos de compressão.
Janelas, cabos, câmeras e conexões elétricas também precisam ser projetados especialmente. Uma pequena falha de vedação pode permitir a entrada de água sob enorme pressão. Por isso, componentes externos podem ser preenchidos com óleo, protegidos por carcaças próprias ou produzidos com materiais que quase não possuem espaços de ar internos.

O que aconteceria com uma pessoa exposta sem proteção?
O corpo humano contém grande quantidade de água, que é pouco compressível, mas também possui espaços cheios de ar nos pulmões, nos ouvidos e nos seios da face. Sem uma cabine pressurizada, essas cavidades seriam submetidas a uma diferença extrema de pressão, tornando a sobrevivência impossível muito antes de alcançar o fundo.
Apesar das condições severas, pequenos organismos vivem na zona hadal. Anfípodes, pepinos-do-mar e microrganismos apresentam adaptações celulares e bioquímicas capazes de manter suas funções sob alta compressão. Assim, a pressão oceânica que destruiria equipamentos comuns faz parte da rotina de formas de vida desenvolvidas naquele ambiente durante milhões de anos.
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