A psicologia revela por que pessoas inteligentes costumam adiar tarefas simples até o último momento
Inteligência não impede que tarefas pequenas sejam empurradas para depois
Ser bom em resolver problemas não impede ninguém de deixar uma tarefa para depois. A pesquisa sobre procrastinação mostra que o adiamento está mais ligado ao desconforto da tarefa, à recompensa distante e ao controle dos impulsos do que à inteligência. Por isso, até uma atividade simples pode ficar para a última hora quando começar parece pouco atraente.
Pessoas inteligentes realmente procrastinam mais?
Não há boa evidência de que maior inteligência faça uma pessoa procrastinar mais. A frase do título descreve uma situação possível, mas não uma relação causal estabelecida pela psicologia.
Uma pesquisa com 451 estudantes encontrou, inclusive, relação negativa entre inteligência e procrastinação acadêmica. Outros trabalhos ligam o adiamento a falhas de autorregulação e função executiva, e não a uma vantagem intelectual.

Então por que alguém capaz adia uma tarefa tão simples?
Uma tarefa pode ser simples e ainda assim parecer chata, sem recompensa imediata ou emocionalmente desagradável. Quando isso acontece, atividades mais atraentes ganham espaço, mesmo que a pessoa saiba exatamente como concluir o trabalho.
A meta-análise de Piers Steel, publicada no Psychological Bulletin, reuniu 691 correlações e encontrou alguns fatores muito mais consistentes que inteligência:
Por que o prazo apertado às vezes faz a pessoa finalmente agir?
Quando o prazo se aproxima, a consequência deixa de parecer distante. O custo de continuar adiando cresce e a tarefa ganha urgência, o que pode aumentar a motivação para começar.
Isso não significa que trabalhar no último minuto seja uma estratégia melhor. O mesmo comportamento pode aumentar estresse e reduzir o tempo para revisar erros.
- Antes: a recompensa de terminar parece distante e a distração está disponível agora.
- Perto do prazo: o risco de não entregar se torna imediato.
- Urgência: o valor de agir aumenta rapidamente.
- Custo: sobra menos espaço para corrigir falhas ou lidar com imprevistos.

Inteligência e função executiva são a mesma coisa?
Não. Inteligência, memória de trabalho, planejamento, inibição e controle de impulsos são conceitos relacionados, mas não idênticos. Uma pessoa pode raciocinar muito bem e ainda ter dificuldade para transformar intenção em ação.
Um estudo de Gustavson e colegas encontrou relação entre maior procrastinação e pior desempenho geral em funções executivas. A literatura também separa capacidade cognitiva de autorregulação:
Leia também: Por que faxinar a casa ou organizar e-mails antes de estudar pode ser procrastinação produtiva
O que ajuda a começar uma tarefa antes da última hora?
Reduzir o tamanho do primeiro passo costuma ajudar mais do que esperar vontade. Transformar “fazer o relatório” em “abrir o arquivo e escrever o primeiro parágrafo” diminui a barreira de entrada.
Uma pesquisa recente sobre procrastinação reforça o papel da autoeficácia, a percepção de que a pessoa consegue executar o que precisa fazer. Quanto mais concreto e possível parece o primeiro passo, menor tende a ser a resistência.
O ponto central é que inteligência não protege automaticamente contra procrastinação. Saber fazer e começar a fazer são problemas diferentes.
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