A ponte de vidro de 430 metros na China suspensa a 300 metros do abismo que teve o piso golpeado por marretas antes de receber turistas
Construída com 99 placas transparentes de três camadas, a travessia foi testada com golpes e o peso de um veículo antes da abertura
Entre dois penhascos cobertos por vegetação, uma faixa transparente atravessa o vazio e permite que os visitantes enxerguem o fundo do cânion sob os próprios pés. A sensação é de caminhar diretamente sobre o ar. Antes de liberar a travessia, os responsáveis submeteram o piso a golpes de marreta e ao peso de um veículo para mostrar que uma placa danificada não provocaria o colapso da estrutura.
Por que a ponte de vidro foi construída sobre o Canyon de Zhangjiajie?
A Ponte de Vidro do Grand Canyon de Zhangjiajie fica na província de Hunan, na China, e conecta dois lados de um profundo vale montanhoso. Inaugurada em 20 de agosto de 2016, ela possui aproximadamente 430 metros de comprimento, seis metros de largura e fica suspensa cerca de 300 metros acima do solo.
Projetada pelo arquiteto israelense Haim Dotan, a travessia nasceu como uma atração turística que deveria interferir o mínimo possível na paisagem. Na época da abertura, a China Daily apresentou a estrutura como a ponte com piso de vidro mais longa e mais alta do mundo, embora esses recordes tenham sido superados posteriormente por outras obras.
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Como a ponte de vidro resistiu ao teste com marretas?
Antes da inauguração, jornalistas e voluntários foram convidados a golpear uma amostra do piso com grandes marretas. Os impactos produziram rachaduras e fragmentaram a camada superior, mas as outras camadas continuaram unidas e sustentando o peso. Depois disso, um veículo foi conduzido sobre o painel danificado como parte da demonstração pública de resistência.
- Golpes aplicados: Marretadas repetidas sobre o mesmo painel
- Primeiro efeito: Fragmentação localizada da camada superior
- Proteção mantida: Camadas inferiores permaneceram unidas
- Teste adicional: Passagem de um veículo sobre o vidro
- Objetivo: Demonstrar a redundância do piso transparente
O vídeo “China’s giant glass bridge hit with sledgehammer”, publicado pelo BBC Click, acompanha o jornalista Dan Simmons durante o teste realizado antes da abertura. As imagens mostram a marreta atingindo várias vezes o painel, as rachaduras surgindo na superfície e a estrutura permanecendo capaz de suportar carga, permitindo observar exatamente como a demonstração foi conduzida.
O que existe dentro das 99 placas transparentes?
O piso foi montado com 99 grandes painéis transparentes distribuídos ao longo da passarela. Cada painel utiliza três camadas de vidro temperado e laminado, criando um conjunto com aproximadamente cinco centímetros de espessura. A laminação mantém os fragmentos presos mesmo quando uma das superfícies sofre danos.
Por isso, a palavra “indestrutível” não descreve com precisão o teste. A camada atingida realmente rachou, mas o sistema foi projetado para continuar funcionando mesmo diante de uma falha localizada. O vidro trabalha em conjunto com a estrutura metálica, os cabos de suspensão e os demais painéis, reduzindo a possibilidade de um único dano comprometer toda a travessia.
Quais números revelam a escala dessa travessia transparente?
A obra combina uma distância semelhante à de quatro campos de futebol com uma altura próxima à de um edifício de cem andares. O visitante percorre todo o trajeto a pé, observando entre as placas o vale, a vegetação e as formações rochosas localizadas centenas de metros abaixo.
Quando foi inaugurada, a administração informou que a ponte poderia receber até 800 pessoas simultaneamente e aproximadamente 8 mil visitantes por dia. A procura, entretanto, superou rapidamente essa previsão: poucos dias depois da abertura, a atração chegou a ser fechada temporariamente para ajustes na bilheteria, nos estacionamentos e no atendimento ao público.
Por que a ponte de vidro provoca tanto medo nos visitantes?
O medo surge principalmente porque o cérebro encontra poucas referências visuais próximas aos pés. Embora o corpo esteja apoiado sobre um piso sólido, a transparência permite enxergar o vazio, as árvores e as rochas centenas de metros abaixo, criando uma sensação semelhante à de permanecer suspenso sem qualquer proteção.
As laterais metálicas, os cabos e os grandes suportes deixam claro que existe uma estrutura ao redor, mas o piso transparente mantém o abismo permanentemente visível. Alguns visitantes atravessam normalmente, enquanto outros caminham devagar, seguram o corrimão, sentam ou evitam olhar para baixo durante os 430 metros de percurso.

Como a engenharia controla o peso, o vento e o movimento no abismo?
A estrutura funciona como uma ponte suspensa: o tabuleiro metálico recebe as placas de vidro, enquanto cabos e ancoragens transferem o peso para os extremos rochosos do cânion. O conjunto foi dimensionado não apenas para suportar visitantes, mas também para controlar vibrações, deslocamentos e as forças produzidas pelo vento entre os penhascos.
O teste com marretas tornou-se a cena mais famosa da obra, mas sua importância não estava em provar que o vidro jamais quebraria. A demonstração mostrou justamente o contrário: mesmo com a superfície danificada, as camadas restantes e o sistema estrutural continuavam oferecendo sustentação. Foi essa combinação de transparência, redundância e engenharia que transformou a travessia em uma das imagens mais conhecidas de Zhangjiajie.
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