A origem da Lua pode esconder um detalhe assustador dentro do próprio núcleo da Terra
A hipótese une a origem da Lua a mistérios no interior da Terra
A ideia parece absurda demais para ser real: um antigo mundo do tamanho de Marte teria se chocado com a Terra jovem, criado a Lua e ainda deixado restos enterrados perto do núcleo do nosso planeta. Essa é a hipótese envolvendo Theia, o corpo que, segundo o modelo mais aceito, participou da formação lunar. Estudos recentes sugerem que duas massas gigantes no manto profundo podem ser relíquias desse impacto, mas a descoberta ainda é uma hipótese forte, não uma prova definitiva.
Por que Theia é tão importante para explicar a origem da Lua?
A hipótese do grande impacto diz que a Lua nasceu quando a proto-Terra foi atingida por um corpo planetário enorme. O choque teria lançado material para a órbita, e esse material acabou se juntando até formar o satélite que vemos no céu.
Esse modelo ganhou força porque explica várias características do sistema Terra-Lua, como o tamanho incomum da Lua em relação ao nosso planeta e sua pequena quantidade de ferro. Ainda assim, ele não resolve tudo, especialmente a semelhança química impressionante entre rochas lunares e terrestres.

O que são as manchas gigantes escondidas no fundo da Terra?
No limite entre o manto e o núcleo existem duas estruturas enormes chamadas LLVPs, sigla em inglês para grandes províncias de baixa velocidade. Elas ficam sob a África e sob o Pacífico, e foram identificadas porque ondas sísmicas se comportam de forma diferente ao atravessá-las.
Essas massas são reais, mas sua origem continua debatida. Antes de ligar tudo a Theia, cientistas já consideravam outras possibilidades para esses blocos profundos:
- restos de crosta oceânica afundados por bilhões de anos;
- material preservado de um antigo oceano de magma;
- camadas primitivas que nunca se misturaram totalmente;
- acúmulos densos formados pela dinâmica interna da Terra;
- possíveis relíquias do impacto que criou a Lua.
Como restos de um planeta poderiam sobreviver no nosso interior?
O estudo publicado em 2023 propôs que o manto de Theia poderia ser mais rico em ferro e, portanto, mais denso que o material ao redor. Depois da colisão, parte desse material não teria ido para a Lua nem se misturado totalmente à Terra.
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Nas simulações, fragmentos mais densos afundaram e formaram pilhas parecidas com as anomalias sísmicas observadas hoje. Isso torna a ideia fisicamente possível, mas não transforma automaticamente as manchas profundas em pedaços confirmados de Theia.

Por que os cientistas ainda não podem cravar essa resposta?
O grande limite é simples: ninguém consegue coletar uma amostra dessas regiões. Elas ficam a milhares de quilômetros de profundidade, perto da fronteira entre manto e núcleo. O que temos são ondas sísmicas, modelos e comparações químicas indiretas.
Além disso, outras explicações para as LLVPs continuam possíveis. O estudo mostra um caminho elegante para unir a origem da Lua e as estruturas profundas da Terra, mas ainda depende de premissas sobre a composição de Theia e sobre como o material teria sobrevivido por bilhões de anos.
O que essa hipótese muda na forma de enxergar a Terra?
Mesmo sem ser uma prova final, a ideia é poderosa porque transforma a Terra em uma espécie de arquivo de colisões antigas. O planeta que nos atingiu pode não ter desaparecido por completo: parte dele talvez esteja misturada à nossa história geológica mais profunda.
Se futuras evidências confirmarem essa ligação, a Lua deixará de ser apenas filha de uma colisão distante e passará a dividir conosco um segredo enterrado. O mundo que ajudou a criá-la talvez ainda esteja aqui, escondido sob nossos pés, perto do coração quente da Terra.
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