Mauro Vieira rebate tarifaço e diz que EUA usam argumentos sem base contra o Brasil
Chanceler afirma ter contestado as justificativas apresentadas por Washington para taxar produtos brasileiros e cobra que governo americano considere informações fornecidas pelo Itamaraty
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira, 4, que o governo brasileiro contestou os argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar a imposição de tarifas sobre produtos do Brasil.
Durante reunião com o representante comercial americano, Jamieson Greer, à margem de um encontro ministerial da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, Vieira disse ter apresentado informações para demonstrar que as alegações de Washington não se sustentam.
Segundo o chanceler, Greer afirmou que mantém “ótimas conversas com o Brasil” no âmbito das negociações comerciais em curso.
Vieira também criticou a divulgação antecipada de resultados de investigações conduzidas pelo governo americano sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. De acordo com ele, os dados foram tornados públicos antes do prazo acertado entre os presidentes dos dois países em reunião bilateral realizada em maio.
“Nós provamos que os argumentos apresentados não são legítimos”, afirmou o ministro à Globonews.
No início de agosto, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório cita como justificativa medidas adotadas pelo Brasil consideradas “irrazoáveis” ou “discriminatórias”.
A investigação americana analisou temas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico — incluindo o Pix —, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Além do encontro com Greer, Vieira se reuniu em Paris com autoridades da União Europeia, Coreia do Sul, Espanha, Canadá, Suíça e República Tcheca para tratar de temas comerciais e de cooperação econômica.
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