A moto elétrica de 296 kg que atingiu 470,257 km/h na pista da NASA e registrou média oficial de 455,737 km/h para se tornar a mais rápida do mundo
Pilotada por Max Biaggi, a máquina de 435 cavalos usou motor derivado da Fórmula E e estabeleceu 21 recordes no Kennedy Space Center
Ela não foi criada para circular nas ruas, carregar passageiro ou oferecer autonomia para viagens. Seu único objetivo era transformar a energia armazenada em uma bateria numa passagem capaz de superar 450 km/h sobre duas rodas.
Pilotada por Max Biaggi numa antiga pista de pouso de ônibus espaciais, essa máquina elétrica ultrapassou a velocidade máxima de muitos supercarros sem consumir uma gota de gasolina.
Qual é a moto elétrica mais rápida do mundo em 2026?
O recorde continua pertencendo à Voxan Wattman, protótipo construído em Mônaco pelo grupo Venturi. Em novembro de 2021, o piloto italiano Max Biaggi registrou uma média oficial de 455,737 km/h na categoria de motocicletas elétricas parcialmente carenadas com peso inferior a 300 quilos. A marca permanece apresentada pelo Guinness World Records como o recorde mundial da categoria.
A tentativa aconteceu na Launch and Landing Facility do Kennedy Space Center, na Flórida, pista que já recebeu ônibus espaciais da NASA. O local oferecia uma longa reta asfaltada, indispensável para acelerar, atravessar o trecho cronometrado e desacelerar uma motocicleta que alcançou velocidade máxima instantânea de 470,257 km/h.
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Como a Voxan Wattman conseguiu ultrapassar os 455 km/h?
A motocicleta utiliza um motor elétrico derivado da tecnologia empregada pela Mercedes na Fórmula E. O conjunto entrega 320 kW, equivalentes a aproximadamente 435 cavalos, e chega a 1.360 Nm de torque. Como a força está disponível imediatamente, a aceleração não depende da subida gradual de rotação característica dos motores a combustão.
- Potência máxima: 320 kW ou cerca de 435 cavalos
- Torque declarado: 1.360 Nm
- Peso total: 296 quilos
- Tensão da bateria: 829 volts
- Capacidade do conjunto: 5 kWh
- Velocidade máxima registrada: 470,257 km/h
O vídeo “The Voxan Wattman: The world’s fastest electric motorcycle”, publicado pelo canal oficial da Venturi, reúne imagens da preparação, das passagens realizadas no Kennedy Space Center e da comemoração da equipe com Max Biaggi. O material mostra a posição extremamente baixa do piloto, a longa carenagem aerodinâmica e a estabilidade necessária para manter a moto alinhada numa velocidade próxima de 470 km/h.
Por que o recorde oficial é menor que a velocidade máxima registrada?
A marca de 470,257 km/h corresponde ao maior valor instantâneo alcançado durante uma das passagens. Para reconhecer um recorde mundial, porém, a Federação Internacional de Motociclismo não considera apenas o ponto mais rápido exibido pelos sensores. O piloto precisa completar o trecho cronometrado em duas direções opostas dentro do intervalo estabelecido.
A velocidade oficial é calculada pela média das duas passagens, o que reduz a influência do vento e de outras condições favoráveis em apenas um sentido. Biaggi percorreu um quilômetro lançado, retornou pela mesma pista e terminou com média de 455,737 km/h. A moto sem a grande carenagem aerodinâmica também participou dos testes e estabeleceu outro recorde, de 369,626 km/h.
Quais números mostram o tamanho do desafio enfrentado pela equipe?
A edição de 2021 precisava pesar menos de 300 quilos para disputar uma categoria diferente daquela vencida pela Wattman anterior. Os engenheiros reduziram o conjunto para 296 quilos, aumentaram a potência de 270 para 320 kW e alongaram a distância entre os eixos para melhorar a estabilidade. O trabalho terminou com 21 recordes estabelecidos em diferentes distâncias, largadas e configurações.
A diferença entre uma motocicleta rápida e um protótipo de recorde aparece principalmente acima dos 300 km/h. Nessa faixa, o ar se transforma no maior obstáculo, pequenas alterações de vento lateral ganham força e qualquer movimento do piloto pode afetar a trajetória. A Wattman precisou combinar potência, baixo peso, carenagem e uma longa pista para converter seus números técnicos numa marca homologada.
Como a Voxan Wattman evitou o superaquecimento durante a tentativa?
Uma bateria pequena e leve precisava liberar enorme quantidade de energia em poucos segundos. O conjunto desenvolvido com a Saft utilizava células de íons de lítio e operava com 829 volts, solução que ajudou a aumentar a potência e reduzir o peso. A bateria tinha apenas 5 kWh porque o objetivo não era oferecer grande autonomia, mas fornecer energia suficiente para as passagens de recorde.
O resfriamento utilizava água e gelo seco num trocador de calor, evitando a instalação de radiadores volumosos na parte frontal. Essa solução reduzia a resistência aerodinâmica e ajudava a retirar rapidamente o calor produzido pelo motor, pelos componentes eletrônicos e pela bateria. Entre cada tentativa, a equipe verificava temperaturas, pressão dos pneus e condições dos sistemas antes de liberar a próxima aceleração.

Por que a motocicleta mais rápida do mundo não pode circular nas ruas?
A Wattman do recorde é um protótipo experimental, e não uma motocicleta de produção disponível em concessionárias. Sua carenagem foi desenhada para reduzir o arrasto numa reta, a capacidade da bateria atende a passagens curtas e a posição do piloto prioriza a aerodinâmica, não o conforto ou a visibilidade necessários no trânsito. Até os pneus foram preparados para suportar velocidades muito superiores às encontradas em motos comuns.
Também é importante diferenciar o recorde elétrico do recorde absoluto de velocidade terrestre para motocicletas. A marca geral homologada pela FIM pertence a uma máquina com motor a combustão que alcançou 605,697 km/h. A conquista da Voxan está em demonstrar que uma motocicleta alimentada exclusivamente por bateria conseguiu manter média superior a 455 km/h, usando um motor de Fórmula E e menos de 300 quilos para transformar uma pista da NASA num laboratório de velocidade.
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