A coroa do Sol é centenas de vezes mais quente que a superfície visível logo abaixo dela, um comportamento contraintuitivo que a sonda Parker da NASA ainda tenta explicar
A camada mais externa do Sol é muito mais quente que a superfície visível, um mistério que a sonda Parker da NASA ainda investiga

O que você vai ver
- O que é a coroa solar.
- Por que a coroa é mais quente do que a superfície do Sol.
- Como a Parker Solar Probe estuda esse mistério de perto.
- Por que essa questão segue sem resposta definitiva.
Uma das perguntas mais persistentes da física solar envolve algo que parece contrariar a lógica mais básica: por que a camada mais externa do Sol é muito mais quente do que a superfície visível logo abaixo dela.
O que é a coroa solar?
A coroa é a camada mais externa da atmosfera do Sol, visível a olho nu da Terra apenas em momentos raros, como durante eclipses solares totais, quando a luz muito mais intensa da superfície fica temporariamente bloqueada.
Fisicamente, a coroa se estende por milhões de quilômetros a partir da superfície do Sol, formando uma espécie de auréola tênue de plasma que só se revela por completo em condições de observação bastante específicas.

Por que a coroa é mais quente do que a superfície do Sol?
Segundo a NASA, a superfície visível do Sol, chamada de fotosfera, tem temperatura de milhares de graus Celsius, enquanto a coroa logo acima dela chega a temperaturas de milhões de graus, uma diferença que contraria a expectativa intuitiva de que o calor deveria diminuir à medida que a distância da fonte aumenta.
Esse comportamento contraintuitivo, batizado pelos cientistas de “problema do aquecimento coronal”, segue sendo uma das questões centrais e ainda não completamente resolvidas da física solar moderna.
Como a Parker Solar Probe estuda esse mistério de perto?
Lançada pela NASA, a sonda Parker Solar Probe foi projetada especificamente para se aproximar do Sol muito mais do que qualquer outra sonda já havia feito antes, atravessando repetidamente a própria coroa solar para coletar dados diretamente dessa camada de temperatura extrema.
Ao voar por dentro da coroa em vez de apenas observá-la à distância, a sonda consegue medir de perto propriedades como campos magnéticos e comportamento das partículas de plasma, informações consideradas essenciais para tentar entender os mecanismos que aquecem essa camada a temperaturas tão superiores às da superfície do Sol.
Por que essa questão segue sem resposta definitiva?
Entre as hipóteses estudadas pelos cientistas estão processos ligados a ondas magnéticas que se propagam a partir da superfície do Sol e pequenas explosões de energia magnética distribuídas por toda a coroa, mecanismos que poderiam, em conjunto, transferir energia suficiente para explicar as temperaturas observadas.
Apesar dos avanços trazidos pelos dados coletados diretamente pela Parker Solar Probe, a NASA ainda não considera o problema do aquecimento coronal completamente resolvido, mantendo o fenômeno como um dos temas mais ativos de pesquisa dentro da física solar contemporânea.

Por que entender a coroa solar afeta diretamente a Terra?
A coroa é a origem do vento solar, o fluxo constante de partículas carregadas que se espalha pelo Sistema Solar e que, ao atingir o campo magnético da Terra, pode gerar tempestades geomagnéticas capazes de afetar satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação.
Entender melhor por que a coroa atinge temperaturas tão altas ajuda cientistas a prever com mais precisão o comportamento desse vento solar, informação usada para antecipar eventos que podem gerar impacto direto em tecnologias usadas no dia a dia na Terra.
- Coroa solar é a camada mais externa da atmosfera do Sol, visível em eclipses totais.
- Fotosfera (superfície visível) tem temperatura de milhares de graus Celsius.
- Coroa, logo acima, chega a milhões de graus, um comportamento contraintuitivo.
- Parker Solar Probe voa por dentro da coroa para investigar o chamado “problema do aquecimento coronal”.
Questões físicas que seguem sem explicação definitiva mesmo após décadas de estudo também aparecem em outros relatos, como o caso do fenômeno das areias cantantes, produzido por avalanches de grãos em dunas de areia.
Mais detalhes sobre o problema do aquecimento coronal e a Parker Solar Probe estão disponíveis no site oficial da NASA.
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