A cobertura florestal da Costa Rica caiu para apenas 21% em 1987, mas um pequeno imposto sobre a gasolina ajudou o país a recuperar suas florestas nas décadas seguintes
Costa Rica é reconhecida mundialmente por suas florestas e biodiversidade, mas esse status “verde” é recente
Costa Rica é reconhecida mundialmente por suas florestas e biodiversidade, mas esse status “verde” é recente. Até o fim dos anos 1980, o país sofreu intenso desmatamento, impulsionado pela pecuária e pela conversão em pastagens.
A forte redução da cobertura florestal levou governo e pesquisadores a redefinir a política ambiental, associando conservação e economia.
O que é pagamento por serviços ambientais em Costa Rica?
O pagamento por serviços ambientais em Costa Rica (Payment for Ecosystem Services – PES) é um sistema em que proprietários rurais recebem para conservar ou restaurar florestas. Em vez de lucro pela derrubada, há compensação financeira pela manutenção da mata em pé.
A premissa é que a floresta gera benefícios públicos, como regulação climática, água limpa e proteção do solo. Assim, quem conserva presta um serviço à sociedade e deve ser remunerado, integrando conservação, renda rural e planejamento territorial.

Quais serviços ambientais são valorizados nesse modelo?
O programa reconhece a floresta como provedora de múltiplos serviços ecossistêmicos essenciais à economia. Entre eles estão captura de carbono, proteção de nascentes, regulação das chuvas, contenção de erosão e suporte à geração hidrelétrica.
Esses serviços também favorecem o turismo de natureza, hoje um pilar econômico do país. Para facilitar o desenho de políticas, os principais serviços contemplados incluem:
Sequestro e estocagem de carbono em florestas nativas e secundárias.
Proteção de bacias hidrográficas e melhoria da qualidade da água.
Conservação da biodiversidade e de corredores ecológicos.
Beleza cênica e suporte ao ecoturismo sustentável.
Como funciona o pagamento por serviços ambientais na prática?
A partir da lei florestal de meados dos anos 1990, o país proibiu a conversão de floresta nativa e criou contratos de PES com proprietários privados. O Estado paga por hectare conservado ou restaurado, com valores diferenciados por atividade.
Uma agência pública especializada analisa propostas, firma contratos e monitora áreas. O programa alcança grandes fazendas, pequenos produtores e comunidades indígenas, incluindo casos com regularização fundiária em andamento, priorizando transparência e contratos de longo prazo.

De onde vêm os recursos para financiar o programa?
Inicialmente, a principal fonte foi um imposto sobre combustíveis fósseis, especialmente gasolina. Parte da arrecadação alimenta um fundo florestal, ligando emissões de carbono ao financiamento da conservação.
Com o tempo, foram agregadas tarifas sobre uso da água, recursos climáticos internacionais e mecanismos de mercado, como créditos de carbono. Como o país busca descarbonizar sua economia, cresce a importância de diversificar fontes para garantir a continuidade do programa.
Probably one of the most beautiful waterfalls in Costa Rica. 🍃 pic.twitter.com/PRXQQRxQgo
— Earth (@earthcurated) April 20, 2026
Quais resultados e desafios o modelo apresenta?
Em poucas décadas, a cobertura florestal subiu de cerca de 21% para aproximadamente 60% do território. Estudos indicam que o PES contribuiu para reduzir o desmatamento e estimular a regeneração, embora outros fatores econômicos e legais também tenham sido decisivos.
A maior parte da floresta recuperada é secundária, com menor estoque de carbono e composição diferente da mata primária perdida. O financiamento futuro, a dependência de condições institucionais estáveis e a impossibilidade de reverter todas as perdas de biodiversidade permanecem como desafios centrais ao modelo.
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