A cidade romana que acabou submersa e ainda preserva ruas, colunas e mosaicos sob o mar perto de Nápoles
Movimentos vulcânicos afundaram parte da antiga Baia, onde arqueólogos encontraram evidências de tentativas romanas de conter o avanço da água
A cidade submersa de Baia, próxima a Nápoles, na Itália, preserva ruas, colunas, vilas e mosaicos romanos sob as águas do Mediterrâneo. O fenômeno responsável por essa transformação é o bradisismo, movimento vertical do terreno que provocou o afundamento gradual de parte da antiga cidade ao longo dos séculos.
Como a cidade submersa de Baia desapareceu sob o Mediterrâneo?
Durante o Império Romano, Baia era um destino privilegiado da aristocracia. Suas águas termais, paisagens costeiras e residências luxuosas atraíam integrantes das famílias mais influentes de Roma, incluindo membros da corte imperial.
Entretanto, a cidade estava construída sobre os Campos Flégreos, uma extensa região vulcânica situada a oeste de Nápoles. Movimentos lentos da crosta terrestre modificaram progressivamente a posição do litoral. Com o rebaixamento do solo, ruas, edifícios e instalações portuárias anteriormente em terra firme acabaram abaixo do nível do mar.
O que os arqueólogos encontraram nas construções romanas inundadas?
O atual Parque Arqueológico Submerso de Baia reúne vestígios de edifícios residenciais, instalações termais e antigas estruturas portuárias. Algumas construções ainda preservam pisos decorados, paredes e elementos arquitetônicos capazes de revelar a organização dos espaços.
Entre os principais vestígios identificados estão:
- Ruas pavimentadas que conectavam diferentes construções;
- Mosaicos com padrões geométricos preservados nos pisos;
- Colunas e paredes pertencentes a antigas residências;
- Piscinas, instalações termais e estruturas hidráulicas;
- Restos de portos e edifícios associados à navegação romana.
O vídeo disponibilizado pelo centro de mergulho do Parque Arqueológico Submerso de Baia apresenta imagens das ruínas romanas sob o mar.
Por que o bradisismo provocou o afundamento da cidade submersa de Baia?
O bradisismo corresponde ao movimento relativamente lento de elevação ou rebaixamento do terreno. Nos Campos Flégreos, essas deformações estão relacionadas a processos vulcânicos subterrâneos, incluindo alterações na pressão de fluidos e no sistema magmático.
O movimento não acontece obrigatoriamente em uma única direção. Durante determinados períodos, a superfície pode subir; em outros, afundar. Ao longo de aproximadamente dois mil anos, o saldo de rebaixamento em setores costeiros foi suficiente para colocar estruturas romanas vários metros abaixo da superfície marinha, sem exigir uma catástrofe repentina.
Quais evidências mostram que os próprios romanos tentaram conter a água?
O registro arqueológico indica que os habitantes perceberam alterações na relação entre os edifícios e o nível da água. Nas chamadas Termas do Lacus, pesquisadores identificaram sucessivas elevações dos pavimentos e colunas posicionadas horizontalmente, aparentemente utilizadas como barreiras contra a entrada da água.
A UNESCO descreve o bradisismo nos Campos Flégreos como responsável por importantes mudanças na linha costeira desde a Antiguidade. Marcas deixadas por organismos marinhos em colunas romanas também registram períodos de submersão. Essas evidências ajudam a reconstruir oscilações do terreno que continuaram depois da ocupação romana.

Quais estruturas ainda podem ser vistas na cidade submersa de Baia?
Os vestígios arqueológicos encontram-se em diferentes profundidades, dependendo da localização e da história de cada construção. Na Villa a Protiro, por exemplo, mergulhadores podem observar um mosaico preto e branco com desenhos geométricos.
O antigo Portus Julius também conserva instalações portuárias e mosaicos entre aproximadamente três e cinco metros de profundidade. Em setores mais profundos, outras estruturas revelam a extensão das transformações costeiras.
| Local arqueológico | Características preservadas |
|---|---|
| Villa a Protiro | Ruas, ambientes residenciais e mosaicos |
| Termas do Lacus | Pavimentos elevados e estruturas contra a água |
| Portus Julius | Instalações portuárias e pisos decorados |
| Ninfeu de Cláudio | Arquitetura monumental e vestígios escultóricos |
O que a cidade romana submersa revela sobre as mudanças do litoral?
Baia demonstra que transformações geológicas relativamente lentas podem modificar profundamente ambientes urbanos. As antigas construções funcionam como referências históricas para investigar variações do nível relativo do mar e movimentos verticais do terreno.
A preservação subaquática também apresenta desafios importantes. Organismos marinhos podem desgastar pedras e mosaicos, enquanto correntes e sedimentos modificam a exposição das ruínas. Pesquisadores utilizam levantamentos geofísicos, fotogrametria e mapeamento tridimensional para documentar estruturas e orientar sua conservação. O monitoramento permanece necessário porque os Campos Flégreos continuam geologicamente ativos.
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