Diretor da Quaest aponta “alienação eleitoral” como desafio para Lula
Felipe Nunes afirma que redução de abstenções, brancos e nulos é a aposta do petista para virar a eleição
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirma que uma virada do presidente Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições só será possível se a campanha conseguir reduzir a chamada “alienação eleitoral”.
Esse termo é a soma das abstenções com os votos brancos e nulos. No primeiro turno das eleições de 2026, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas, enquanto quase seis milhões não escolheram nenhum dos candidatos disponíveis.
Nunes cita como exemplo a vitória da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2014, sobre Aécio Neves (PSDB).
“Se o nível da alienação eleitoral esperada para este ano for próximo ao de 2014, há chance, sim, de Lula conseguir a virada. A Dilma virou na última semana por causa da queda da alienação eleitoral. O PT, em 2014, conseguiu fazer o eleitorado que não votou em ninguém escolher a Dilma. Isso, para mim, é mais decisivo do que olhar só para a taxa de abstenção”, afirma Nunes.
“O incumbente que conseguiu virar foi a Dilma, quando a alienação caiu. O incumbente que não conseguiu foi Jair Bolsonaro, quando a queda não foi significativa”, acrescenta.
Em 2014, a alienação eleitoral caiu mais de um ponto percentual entre o primeiro e o segundo turno, contribuindo para a vitória de Dilma. Na ocasião, porém, a candidata petista terminou o primeiro turno à frente de Aécio Neves.
As pesquisas indicavam vantagem do tucano sobre a petista, o que não ocorreu no segundo turno.
Alta nas abstenções
A alta da abstenção não é um fenômeno restrito a 2026.
Em 20 anos, saiu de cerca de 16,8% para 21,1%, registrando alta de aproximadamente 4,3 pontos percentuais.
O eleitor está indo cada vez menos saindo de casa para votar nulo ou branco.
Com a facilidade para justificar e a multa baixa, prefere simplesmente não votar.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)