A cidade onde uma antiga biblioteca foi construída como uma caixa-forte para proteger milhares de livros
Paredes espessas, madeira resistente e métodos de conservação ajudam a proteger milhares de livros históricos na Universidade de Coimbra
No coração da Universidade de Coimbra, em Portugal, uma biblioteca barroca do século XVIII foi projetada não apenas para impressionar, mas também para conservar seu conteúdo. A Biblioteca Joanina guarda cerca de 60 mil volumes em três pisos e utiliza paredes extremamente espessas, madeira resistente e até controle natural de insetos para reduzir alguns dos principais riscos enfrentados pelos livros antigos.
Por que a Biblioteca Joanina foi construída como uma caixa-forte?
A construção começou em 1717 e foi concluída em 1728, durante o reinado de D. João V. Seu Piso Nobre possui três grandes salas revestidas por estantes ornamentadas, pinturas e talhas douradas, mas por trás da decoração existe uma arquitetura concebida para proporcionar condições relativamente estáveis aos livros.
A própria Universidade de Coimbra descreve o edifício como uma espécie de caixa-forte destinada à conservação. Suas paredes exteriores alcançam 2,11 metros de espessura, ajudando a reduzir variações de temperatura e umidade que poderiam acelerar a deterioração do papel, couro e outros materiais antigos.
Como a Biblioteca Joanina protege seus livros?
A conservação depende de diferentes elementos trabalhando juntos. Além das paredes grossas, as estantes do piso principal foram construídas em madeira de carvalho, material valorizado por sua resistência e por características que ajudam a dificultar a presença de determinados insetos que poderiam atacar os livros.
Outro detalhe incomum é a presença histórica de morcegos dentro da biblioteca. Há pelo menos cerca de dois séculos e meio, colônias utilizam o edifício e se alimentam de insetos durante a noite. Para proteger o mobiliário dos dejetos, as mesas são cobertas diariamente com proteções de couro.
- Paredes externas possuem 2,11 metros de espessura.
- Estantes de carvalho ajudam na conservação do acervo.
- Morcegos reduzem naturalmente a presença de insetos.
- Livros recebem procedimentos específicos de limpeza e restauro.
- Parte do acervo também está sendo digitalizada.
Este vídeo apresenta o interior da Biblioteca Joanina e mostra suas salas barrocas, estantes e coleção histórica.
Existem realmente livros guardados em áreas subterrâneas?
A Biblioteca Joanina possui três níveis, mas descrevê-la simplesmente como uma enorme biblioteca subterrânea seria impreciso. O Piso Nobre concentra as famosas estantes barrocas, enquanto o Piso Intermédio serviu como depósito e área de apoio, e o nível inferior está associado à antiga Prisão Académica.
Em diferentes períodos, os níveis inferiores receberam livros provenientes de outras instituições universitárias enquanto aguardavam catalogação e transferência. Portanto, existem áreas abaixo do salão monumental ligadas ao armazenamento, mas a principal estratégia histórica de preservação não foi esconder o acervo de guerras ou incêndios.
A biblioteca foi criada especificamente para sobreviver a guerras e incêndios?
As fontes oficiais não sustentam essa interpretação. O edifício foi concebido para guardar e preservar livros, principalmente proporcionando condições internas favoráveis e segurança para um acervo valioso, mas não há documentação oficial indicando que tenha sido construído especificamente como abrigo contra bombardeios, guerras ou grandes incêndios.
A proteção também evoluiu com o conhecimento científico. Obras podem passar atualmente por limpeza, restauro e até tratamentos em câmaras com ausência de oxigênio para eliminar organismos capazes de danificar papel e encadernações, mostrando que a conservação histórica continua combinada com métodos modernos.

Quantos livros existem na Biblioteca Joanina atualmente?
A Universidade informa que os três pisos guardam perto de 60 mil volumes, principalmente obras impressas entre os séculos XV e XVIII. Muitos continuam catalogados e disponíveis para consulta mediante procedimentos próprios, apesar de o edifício também funcionar como importante patrimônio histórico visitado pelo público.
Um projeto iniciado em 2024 pretende digitalizar cerca de 30 mil volumes existentes no Piso Nobre até 2030. A iniciativa deve produzir aproximadamente 20 milhões de imagens digitais, reduzindo a necessidade de manipular determinados exemplares enquanto amplia o acesso ao conteúdo.
Por que a Biblioteca Joanina continua sendo um exemplo de preservação?
O edifício mostra como arquitetos do século XVIII podiam utilizar espessura das paredes, escolha de materiais e organização interna para criar um ambiente mais favorável à conservação muito antes do surgimento de sistemas eletrônicos modernos de climatização.
Hoje, esse princípio é complementado por restauro, monitoramento e digitalização. A página oficial da Universidade de Coimbra sobre a Biblioteca Joanina detalha como arquitetura, mobiliário e práticas de conservação continuam protegendo um acervo que atravessou quase três séculos.
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