A cidade construída há mais de quatro mil anos onde ruas planejadas, casas de tijolos e uma sofisticada rede de drenagem revelam um nível surpreendente de organização urbana
Ruas ordenadas, poços e canais de drenagem mostram como uma grande cidade da Civilização do Indo administrava água e espaços urbanos
Às margens do rio Indo, no atual Paquistão, Mohenjo-daro preserva vestígios de uma das experiências urbanas mais avançadas da Idade do Bronze. Desenvolvida principalmente durante o terceiro milênio a.C., a cidade possuía ruas organizadas, casas de tijolos, numerosos poços e um elaborado sistema de escoamento, indicando que seus habitantes dedicavam grande atenção ao abastecimento de água, à circulação e ao saneamento.
Como Mohenjo-daro foi organizada há mais de quatro mil anos?
A cidade fazia parte da Civilização do Indo, que floresceu em extensas áreas do atual Paquistão e do noroeste da Índia. Mohenjo-daro alcançou seu período de maior desenvolvimento aproximadamente entre 2600 e 1900 a.C., embora o sítio registre uma história mais longa de ocupação e transformação.
Seu traçado chama atenção pela regularidade. Na cidade baixa, construções foram distribuídas ao longo de ruas que frequentemente se cruzavam em ângulos próximos de 90 graus, formando setores urbanos bem definidos. Essa organização não prova a existência de um governo centralizado específico, mas revela planejamento e padrões construtivos compartilhados.
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Como funcionava a drenagem de Mohenjo-daro?
Muitas residências possuíam espaços destinados ao banho, com pisos preparados para direcionar a água utilizada. Pequenos canais domésticos levavam o líquido até sistemas maiores instalados junto às ruas, enquanto poços e estruturas de absorção complementavam o manejo hídrico.
Alguns desses canais eram construídos com tijolos e podiam receber coberturas removíveis, o que teria facilitado inspeção e limpeza. Esse sistema não equivalia a uma rede moderna de esgoto sanitário, mas representava uma solução organizada para retirar água e resíduos líquidos das áreas residenciais.
- Casas possuíam áreas destinadas ao banho;
- Canais menores conduziam água para drenagens das ruas;
- Poços abasteciam diferentes setores da cidade;
- Estruturas de absorção ajudavam no descarte de líquidos.
Este vídeo da National Geographic apresenta a cidade, seu planejamento e algumas das principais estruturas arqueológicas.
O que as casas revelam sobre a vida em Mohenjo-daro?
Grande parte das construções conhecidas utiliza tijolos cozidos, embora tijolos secos ao sol também tenham sido empregados. Muitas casas eram organizadas em torno de pátios internos e podiam possuir vários cômodos, escadas e áreas ligadas ao armazenamento ou às atividades domésticas.
A existência de muitos poços dentro ou próximos às residências chama atenção. Em vez de depender exclusivamente de poucas fontes públicas, diferentes setores tinham acesso relativamente próximo à água. Essa distribuição sugere uma infraestrutura urbana incorporada ao cotidiano dos habitantes.
O que ainda não sabemos sobre a administração da cidade?
Apesar da organização urbana evidente, vários aspectos políticos permanecem desconhecidos. A escrita da Civilização do Indo ainda não foi decifrada de maneira consensual, o que impede consultar documentos administrativos, leis ou registros capazes de revelar quem planejava e supervisionava as obras.
Também é necessário evitar interpretações antigas apresentadas como certezas. Algumas estruturas receberam nomes como “celeiro” ou “colégio dos sacerdotes”, mas suas funções exatas continuam discutidas. A UNESCO descreve Mohenjo-daro como um dos exemplos mais bem preservados de planejamento urbano antigo no sul da Ásia.

Quais números ajudam a entender a escala de Mohenjo-daro?
O sítio arqueológico protegido ocupa aproximadamente 240 hectares, mas apenas cerca de um terço foi escavado. Essa proporção significa que uma parte considerável da antiga cidade continua preservada sob o solo, onde intervenções precisam ser cuidadosamente controladas para evitar danos.
As ruínas foram identificadas arqueologicamente em 1922 e receberam reconhecimento internacional crescente nas décadas seguintes. Mohenjo-daro entrou para a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1980, tanto pela importância histórica quanto pelo extraordinário estado de conservação de seu traçado urbano.
| Referência | Informação |
|---|---|
| Período principal | Terceiro milênio a.C. |
| Área protegida | Cerca de 240 hectares |
| Área escavada | Aproximadamente um terço |
| UNESCO | Patrimônio Mundial desde 1980 |
Por que Mohenjo-daro continua tão importante para a arqueologia?
O valor do sítio não está apenas em edifícios isolados, como o famoso Grande Banho. O conjunto mostra como milhares de pessoas puderam viver em um espaço estruturado por ruas, residências, poços e sistemas de drenagem que obedeciam a padrões relativamente consistentes.
Ao mesmo tempo, sua preservação enfrenta ameaças como sais presentes no solo, elevação da umidade e chuvas intensas. Proteger as estruturas de tijolos é essencial porque cada parede, canal e fundação ainda pode fornecer informações sobre como funcionava uma das grandes sociedades urbanas da Antiguidade.
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