A China descobriu a verdade sobre a Fossa das Marianas
Pressão de 8 toneladas por polegada e temperatura de 1°C não impedem vida complexa
A descoberta de colônias de vida na Fossa das Marianas pela China em 2025 virou assunto central entre cientistas, curiosos e entusiastas de vida extraterrestre. A presença de milhares de organismos sobrevivendo no ponto mais profundo do planeta está levantando novas perguntas sobre onde a vida pode surgir — tanto na Terra quanto fora dela.
Como a China descobriu vida a 10 km de profundidade?
Uma expedição chinesa do Instituto de Ciência e Engenharia de Águas Profundas mapeou cerca de 10 km de profundidade na Fossa das Marianas e encontrou milhares de organismos multicelulares. Entre eles, colônias inteiras de moluscos e vermes marinhos vivem em um ambiente que lembra um cenário de ficção científica.
No total, foram identificadas 7.564 espécies, sendo aproximadamente 90% totalmente desconhecidas para a ciência até então. Esses seres sobrevivem sem luz solar, baseando-se em quimiossíntese ligada ao metano de bactérias e fissuras vulcânicas, o que muda a forma como se entende os limites da vida.

O que torna a Fossa das Marianas tão extrema?
A Fossa das Marianas é uma trincheira com cerca de 2.550 km de extensão e 70 km de largura, localizada no Pacífico. Ali, a profundidade máxima chega a aproximadamente 10.984 m, o suficiente para “engolir” o Monte Everest sem que ele apareça na superfície.
Nessa região hadal, as condições são consideradas extremas: pressão de cerca de 8 toneladas por polegada quadrada, mais de mil vezes maior que a atmosférica, temperatura por volta de 1°C e escuridão total. Desde as primeiras medições em 1875, com o navio Challenger, até missões modernas, como a descida de James Cameron em 2012, o lugar é descrito como um verdadeiro “mundo alienígena”.
Entenda mais sobre essa descoberta no vídeo abaixo:
Como esses organismos sobrevivem sem luz do sol?
Na Fossa das Marianas, não existe fotossíntese, já que a luz não alcança essa profundidade. A base da cadeia alimentar é sustentada por quimiossíntese, processo em que micro-organismos usam compostos químicos, como metano e enxofre vindos de fissuras vulcânicas, para gerar energia.
- Energia sem sol: bactérias usam metano e outros compostos como fonte energética.
- Colônias estáveis: moluscos e vermes marinhos formam agrupamentos fixos nessas áreas ricas em compostos químicos.
- Adaptações físicas: corpos moles, estruturas flexíveis e metabolismo lento ajudam a resistir à pressão.
- Rede ecológica própria: cadeias alimentares inteiras surgem sem depender da superfície.
Essa descoberta muda a busca por vida alienígena?
Os ecossistemas da Fossa das Marianas são vistos como “laboratórios naturais” para a astrobiologia. Como não dependem da luz do Sol, eles servem de modelo para entender como a vida poderia existir em outros mundos, especialmente em ambientes escuros e cobertos por gelo.
Cientistas relacionam esses achados com locais como as luas geladas de Júpiter e Saturno, que podem ter oceanos subterrâneos. A descoberta reforça a ideia de que a vida pode surgir em “ecossistemas planetários” que antes eram considerados inóspitos, desde que haja água líquida, fontes de energia química e tempo suficiente para adaptações evolutivas.
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