A bateria que levou um carro elétrico por 1.205 km sem recarga e promete reduzir a espera nos carregadores
Mercedes-Benz já testou a tecnologia nas ruas, enquanto Toyota, Nissan e BYD preparam aplicações previstas entre 2027 e o fim da década.
Montadoras de vários países disputam uma tecnologia capaz de mudar os limites dos carros elétricos. Os primeiros testes nas ruas já começaram, mas ainda existe uma grande diferença entre um protótipo recordista e uma bateria disponível nas concessionárias.
Como a bateria de estado sólido consegue armazenar mais energia?
As baterias tradicionais de íons de lítio usam um eletrólito líquido ou em gel para transportar íons entre os eletrodos. A bateria de estado sólido substitui esse componente por um material sólido, o que pode permitir células mais compactas, seguras e capazes de armazenar mais energia sem aumentar proporcionalmente o peso do veículo.
Além disso, algumas versões permitem utilizar um ânodo de lítio metálico, material com grande capacidade de armazenamento. A Mercedes-Benz afirma que sua tecnologia experimental pode alcançar até 450 Wh/kg no nível da célula e oferecer cerca de 25% mais autonomia com peso e dimensões semelhantes aos de uma bateria convencional.
Quais vantagens explicam a corrida entre as montadoras?
A indústria espera que essa tecnologia melhore vários pontos ao mesmo tempo. No entanto, os números dependem da composição química, do tamanho do conjunto, da potência do carregador e do sistema térmico instalado em cada automóvel. Portanto, nem toda célula sólida oferecerá automaticamente 1.200 quilômetros de alcance e recarga em dez minutos.
- Maior densidade de energia
- Menor peso para uma capacidade equivalente
- Possibilidade de carregamentos mais rápidos
- Menor uso de componentes líquidos inflamáveis
- Mais autonomia dentro do mesmo espaço
- Melhor aproveitamento da área sob o veículo
O vídeo institucional da Mercedes-Benz sobre os testes rodoviários apresenta um EQS modificado com células de lítio metálico desenvolvidas pela Factorial Energy. As imagens mostram que a tecnologia já deixou as pequenas células de laboratório e passou a ser avaliada em um automóvel completo, embora o conjunto ainda seja experimental e não esteja disponível para consumidores.
A bateria de estado sólido já percorreu 1.200 km de verdade?
Em agosto de 2025, um Mercedes-Benz EQS experimental percorreu 1.205 quilômetros entre Stuttgart, na Alemanha, e Malmö, na Suécia, sem parar para recarregar. O veículo chegou ao destino com uma autonomia indicada de mais 137 quilômetros, segundo os dados divulgados pela própria fabricante.
O resultado demonstra o potencial da tecnologia em condições rodoviárias, mas não confirma que qualquer carro poderá repetir essa distância. A viagem utilizou uma rota calculada com base em trânsito, relevo, temperatura e consumo energético. Além disso, tratava-se de um protótipo modificado, não de um modelo produzido em série e submetido a um teste oficial padronizado de autonomia.
É possível carregar um carro elétrico em apenas dez minutos?
A Toyota anunciou como objetivo reduzir o carregamento rápido de 10% a 80% para aproximadamente dez minutos em uma futura geração de baterias sólidas, com alcance projetado em torno de 1.200 quilômetros. Porém, esses números continuam sendo metas de desenvolvimento e ainda não foram comprovados em um automóvel comercial produzido em grande escala.
O tempo real também dependerá da infraestrutura. Uma bateria capaz de receber muita energia rapidamente precisa encontrar um carregador com potência suficiente, cabos preparados e uma rede elétrica capaz de sustentar a demanda. Além disso, a montadora precisa controlar a temperatura e impedir que repetidos carregamentos rápidos reduzam a vida útil das células.

Quando a bateria de estado sólido chegará aos carros da Toyota e da BYD?
A Toyota mantém a previsão de lançar uma aplicação automotiva entre 2027 e 2028. A empresa trabalha com a Idemitsu Kosan na produção de eletrólitos de sulfeto e com a Sumitomo Metal Mining no desenvolvimento de materiais catódicos mais duráveis. Em outubro de 2025, as companhias anunciaram avanços nessa etapa, mas reconheceram que custos, matérias-primas e produção complexa ainda limitam a adoção em massa.
A BYD apresentou um cronograma mais gradual. A fabricante chinesa pretende iniciar o uso demonstrativo em veículos por volta de 2027, enquanto a adoção em grande escala deve ocorrer somente depois de 2030. Isso significa que os primeiros exemplares poderão circular em testes ou séries limitadas antes que a tecnologia chegue aos modelos populares da marca.
Por que essa tecnologia ainda não substituiu as baterias atuais?
O principal obstáculo está na fabricação. As superfícies internas precisam permanecer em contato perfeito mesmo quando os materiais se expandem e se contraem durante os ciclos de carga. Pequenas fissuras, impurezas ou falhas entre o eletrólito e os eletrodos podem reduzir o desempenho, aumentar a resistência e acelerar a degradação.
A Nissan pretende lançar um elétrico com bateria de estado sólido no ano fiscal de 2028, mas ainda trabalha na linha-piloto e na redução dos custos. A Mercedes-Benz também afirma que deseja levar sua solução à produção até o fim da década. Portanto, os 1.205 quilômetros já foram alcançados por um protótipo, enquanto a recarga em dez minutos e os 1.200 quilômetros da Toyota ainda representam metas para uma geração que precisa provar durabilidade, segurança e viabilidade industrial.
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