24 viadutos, 93 contenções e 30 canteiros estão refazendo uma serra para dobrar a velocidade na estrada que liga as duas maiores cidades do Brasil
Novas estruturas prometem dar mais fluidez a uma estrada usada por milhares de veículos todos os dias
Máquinas escavam encostas, retiram rochas e levantam pilares de concreto ao lado de uma estrada cheia de curvas na serra fluminense. Essa transformação acontece na Serra das Araras, trecho da Via Dutra entre Rio de Janeiro e São Paulo, onde o projeto prevê 24 viadutos, 93 contenções e mais de 30 canteiros de obras simultâneos. Com investimento de R$ 1,5 bilhão, a nova configuração foi planejada para permitir velocidade de até 80 km/h, o dobro da referência anterior de 40 km/h.
Onde fica a obra que está transformando a Serra das Araras?
A obra fica na Rodovia Presidente Dutra, a BR-116, entre os municípios de Piraí e Paracambi, no Rio de Janeiro. A serra faz parte do principal corredor rodoviário entre as regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a região possui um desnível de aproximadamente 400 metros. Isso exige uma estrada capaz de vencer a diferença de altura sem curvas excessivamente fechadas.
O projeto começou em abril de 2024, executado pela concessionária RioSP, atualmente vinculada à Motiva. Além de ampliar a capacidade de circulação, a intervenção busca melhorar a segurança de caminhões que transportam cargas entre os dois estados.

Por que a Serra das Araras precisa de 24 viadutos?
Os 24 novos viadutos permitem construir pistas sobre vales e trechos inclinados sem obrigar os veículos a acompanhar cada curva do relevo. As estruturas são apoiadas em pilares que transferem o peso da rodovia para fundações construídas no terreno.
Os viadutos previstos somam aproximadamente 4,5 km de extensão. Eles fazem parte de um novo traçado com cerca de 8 km em cada sentido, incluindo quatro faixas de circulação por pista e acostamentos.
Quando uma estrada acompanha todos os contornos de uma montanha, pode apresentar curvas fechadas e mudanças bruscas de inclinação. Os viadutos ajudam a criar uma trajetória mais direta, mantendo a pista em uma altura adequada.
A construção de estradas em regiões montanhosas também aparece em uma megaobra que abriu 25 km de estrada em plena serra, com soluções de engenharia voltadas a enfrentar terrenos de difícil acesso.
Como funcionam as 93 contenções nas encostas?
As 93 contenções previstas servem para estabilizar o terreno cortado durante a construção. Como parte da obra exige remover solo e rocha das encostas, os engenheiros precisam impedir que esses materiais se movimentem em direção às pistas.
As estruturas podem utilizar concreto, reforços e sistemas de drenagem para controlar a pressão exercida pelo terreno. A escolha da técnica depende das características geológicas encontradas em cada ponto.
Na Serra das Araras, a escavação também envolve desmontes controlados de rocha. O material retirado pode passar por britagem, processo que transforma pedras maiores em fragmentos aproveitáveis na própria obra.
Segundo a concessionária RioSP, a construção dos novos viadutos e os desmontes de rochas avançaram simultaneamente desde as primeiras fases.
Como o novo traçado permitirá uma velocidade maior?
O novo traçado foi projetado para receber veículos a 80 km/h, utilizando curvas mais adequadas à circulação e pistas separadas para subida e descida. A velocidade de referência anterior era de 40 km/h no projeto apresentado pela ANTT.
A duplicação também aumenta a quantidade de faixas disponíveis. Com quatro por sentido, caminhões mais lentos poderão circular sem ocupar necessariamente todo o espaço utilizado pelos automóveis.
Os ganhos de tempo previstos são diferentes em cada direção:
- Subida, sentido São Paulo: redução projetada de até 25% no tempo de percurso.
- Descida, sentido Rio de Janeiro: redução projetada de até 50% no tempo de percurso.
- Segurança: duas rampas de escape previstas para caminhões na pista de descida.
As rampas de escape oferecem uma área preparada para receber veículos pesados que apresentem problemas de frenagem. Elas não substituem a manutenção dos freios, mas acrescentam uma alternativa de emergência durante a descida.
Quem quer acompanhar as grandes obras rodoviárias do país, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Engenharia & Obras., que conta com mais de 72 mil visualizações, onde mostram a nova pista da Serra das Araras na Via Dutra:
O que já foi entregue na Serra das Araras em 2026?
A primeira etapa foi entregue em junho de 2026, com 4 km da nova pista de subida e oito viadutos. O trecho foi preparado com quatro faixas, acostamento e iluminação.
O comunicado de entrega da RioSP confirmou a abertura dessa primeira fase. Na ocasião, o governo federal informou que a execução física do empreendimento havia superado 70%.
Essa entrega não representa a conclusão dos 24 viadutos nem a liberação de todas as novas pistas. As demais estruturas ainda dependem das frentes de construção previstas no projeto completo.
Quando a obra completa da Serra das Araras ficará pronta?
A concessionária trabalha com a previsão de conclusão em 2027, antecipando o cronograma original, que indicava entregas até 2029. O prazo atualizado depende da conclusão dos demais viadutos, contenções, acessos e equipamentos de segurança.
A modernização também inclui três passarelas, melhorias nos acessos locais e sistemas de monitoramento da rodovia. Esses recursos serão importantes para a operação das pistas depois que as máquinas deixarem os canteiros.
O trecho continua recebendo trânsito durante as obras, o que exige bloqueios e alterações temporárias de circulação em determinadas atividades. Motoristas que utilizam a Via Dutra precisam acompanhar os avisos da concessionária, especialmente nos períodos de detonação de rochas.
Quando o projeto estiver concluído, os caminhões terão um caminho mais amplo para superar os desníveis da Serra das Araras. A transformação física da montanha busca substituir o percurso antigo por pistas com menos restrições de circulação e maior capacidade para o transporte de cargas.
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