Alvaro Dias desistiu de disputar o Planalto para "facilitar decisão" de Moro

10.10.2026

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O Antagonista
Alvaro Dias desistiu de disputar o Planalto para “facilitar decisão” de Moro
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Diego Amorim
6 minutos de leitura 16.10.2021 11:00 comentários
Entrevista

Alvaro Dias desistiu de disputar o Planalto para “facilitar decisão” de Moro

Em entrevista exclusiva a O Antagonista, o senador Alvaro Dias (foto), líder do Podemos, admitiu que o anúncio de que não será candidato ao Planalto pelo partido, feito no início deste mês, foi uma forma de "facilitar a decisão" de Sergio Moro sobre eventual candidatura presidencial. O ex-juiz da Lava Jato avisou às lideranças do Podemos que tomará uma decisão definitiva sobre o assunto até novembro...

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Diego Amorim
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Alvaro Dias desistiu de disputar o Planalto para “facilitar decisão” de Moro
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Em entrevista exclusiva a O Antagonista, o senador Alvaro Dias (foto), líder do Podemos, admitiu que o anúncio de que não será candidato ao Planalto pelo partido, feito no início deste mês, foi uma forma de “facilitar a decisão” de Sergio Moro sobre eventual candidatura presidencial.

O ex-juiz da Lava Jato avisou às lideranças do Podemos que tomará uma decisão definitiva sobre o assunto até novembro.

“Se ficasse no ar alguma possibilidade da minha candidatura, certamente isso seria motivo de algum constrangimento. Por isso me antecipei: para facilitar essa definição dele [do Moro]”, afirmou Dias.

O senador de 76 anos, na vida pública desde 1969, também antecipou que, apesar de estar “decepcionado” com a política, como afirmou em maio deste ano, poderá tentar uma nova reeleição ao Senado, “se sentir um apelo realmente consistente e amplo para que continue”.

Dias afirmou, ainda, que não se arrepende de ter concorrido à Presidência da República em 2018, quando ficou em nono lugar, com 0,80% dos votos válidos. “Foi uma eleição atípica. Interpretar a minha votação pífia como um fracasso rotundo não é correto”, comentou.

O senador também se mostrou otimista com a construção da chamada Terceira Via para 2022 e opinou que a crise econômica em curso poderá deixar Jair Bolsonaro de fora de um eventual segundo turno.

Leia a íntegra da entrevista:

Por que o senhor decidiu não se colocar como pré-candidato ao Planalto desta vez?

Anunciei que não serei candidato ao Planalto como uma manifestação de gratidão aos que me estimularam a disputar de novo. Em 2018, foi uma eleição atípica. Agora, cabe a mim fazer a avaliação correta de minhas próprias possibilidades. E o que defendo é uma convergência em torno de um projeto estratégico de desenvolvimento econômico e social para o país. É preciso pensar em um projeto de nação.

A Terceira Via vai precisar ter alguém com mais potencial de voto, mais popularidade, mais apoio dos meios de comunicação. E a avaliação que faço é a de que, neste momento, eu não reúno essas condições. O que temos que definir é se somos candidatos de nós mesmos ou se estamos sendo convocados por uma parcela significativa da sociedade. Na leitura que faço, não estou sendo convocado. Então, tenho que facilitar a convergência, abrindo espaço e saindo do caminho para que alguém com mais potencial do que eu possa ter facilitada a tarefa da convergência.

O Moro deverá se filiar ao Podemos. Então, o seu anúncio de que não será candidato aumenta a chance de o ex-juiz ser o nome do partido ao Planalto?

O compromisso dele conosco é de dar uma resposta oficial e definitiva em novembro. Eu antecipei a minha decisão até como forma de facilitar a decisão dele, para retirar qualquer constrangimento no interior do partido. Se ficasse no ar alguma possibilidade da minha candidatura, certamente isso seria motivo de algum constrangimento. Por isso me antecipei: para facilitar essa definição dele [do Moro], assim que chegar o mês de novembro.

O senhor se arrepende de ter se lançado ao Planalto em 2018? Valeu a pena?

Na política, aprendemos muito mais com as derrotas do que com as vitórias. Foi um extraordinário aprendizado, que me conferiu muito mais segurança. Não me arrependo de forma alguma. Até porque foi uma eleição atípica. Interpretar a minha votação pífia como um fracasso rotundo não é correto. Outros postulantes até mais conhecidos do que eu foram varridos eleitoralmente em 2018. Houve uma polarização estúpida e ignorante, que funcionou como uma tempestade devastando todos os que estavam no meio. Não houve a lucidez da construção. O que ocorreu em 2018 foi um desejo imenso de destruição. É preciso fazer uma avaliação correta daquelas circunstâncias. Eu cumpri o meu papel.

O senhor está realmente animado com a possibilidade de a chamada Terceira Via vingar?

Há um espaço enorme, sim, para a Terceira Via. A cada dia, ela se torna mais viável, porque a crise econômica será fatal para o presidente Bolsonaro. Acho que há uma emagrecimento da base de apoio popular do presidente ocorrendo dia a pós dia, impulsionado, sobretudo, pela crise econômica. A inflação é fatal para o pobre. E, para quem está exercendo mandato, pode ser fatal eleitoralmente.

O senhor acha que há alguma chance de Bolsonaro ficar de fora do segundo turno?

Eu vejo, hoje, uma possibilidade maior de segundo turno entre Lula e um nome da Terceira Via, especialmente se esse apelo à convergência for entendido como se deve pelo grupo do centro.

Em maio, o senhor cogitou abandonar a política. Vai se candidatar no ano que vem?

Sou muito suscetível à vontade popular. Vivo tentando fazer a leitura correta do que desejam de mim. Se eu sentir um apelo realmente consistente e amplo para que eu continue, terei dificuldade de abandonar a causa. Até porque, se tivermos uma candidatura nacional da Terceira Via, eu terei também a responsabilidade de dar sustentação a ela. E a melhor forma de contribuir será com uma candidatura no próprio estado. Então, não descarto a hipótese de disputar novamente a eleição.

Seria a tentativa de uma nova reeleição ao Senado (no ano que vem, os eleitores escolherão somente um senador por unidade da Federação)?

Sim, seria essa a possibilidade maior de candidatura. Eu tenho um entendimento com o governador do Paraná [Ratinho Júnior, do PSD], feito há um tempo, de que faríamos uma aliança. Se esse acordo for preservado, eu sou homem de honrar a palavra e o compromisso.

Mas e se o Moro se filiar ao Podemos e quiser a vaga do partido ao Senado no Paraná?

Eu não posso responder com base em hipótese. Se ele [Moro] desejar a vaga ao Senado, aí eu responderei a essa pergunta. Agora, seria uma resposta muito frágil.

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Diego Amorim

Se formou em jornalismo pela UnB. Trabalhou no Blog do Noblat e no Correio Braziliense. Gosta da notícia e dos bastidores dela em qualquer área. Entre outros prêmios, ganhou duas vezes o Esso de Informação Econômica e duas vezes o Embratel. Está em O Antagonista desde abril de 2016, quando se juntou à equipe para a cobertura do impeachment de Dilma Rousseff. Desde então, não tem dado sossego a políticos de todos os partidos em Brasília. É chefe de redação de O Antagonista em Brasília.

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