Uma delação explosiva na Americanas?
Ex-diretor firmou acordo de colaboração premiada no qual revelou suposto envolvimento de bancos na ocultação de dívidas
O ex-diretor financeiro de relações com investidores da Americanas, Fabio Abrate, fechou um acordo de delação premiada no qual acusou grandes bancos, que trabalhavam com a empresa, de ocultar internacionalmente as informações sobre as dívidas relacionadas ao risco sacado, mecanismo através do qual parcela das fraudes nos balanços era cometida, segundo O Globo.
Na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), o ex-executivo disse que as operações de risco foram “sendo desvirtuadas pela Americanas, com o consentimento dos bancos”.
Segundo Abrate, os principais bancos eram o Itaú e o Santander, além de outras instituições financeiras.
“(…) A minha conversa com os dois bancos foi muito simples, ou tira [da carta de circularização], ou a gente para de fazer operação [de risco sacado]. O risco sacado era uma operação curta e muito cara. Então, se você é Itaú, você é Santander, você vai me sinalizar, e eu vou ter que contabilizar como dívida, essa era a pior hipótese. (…) Se o banco interrompe naquele momento, a gente não tinha chegado onde a gente chegou. O banco não apontar na carta de circularização foi decisivo para a perpetuação da fraude“, diz trecho do depoimento.
MPF denuncia executivos
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta segunda-feira, 31, treze ex-executivos e ex-funcionários envolvidos na fraude estimada em R$ 25 bilhões na Americanas, segundo O Globo.
Foram denunciados: Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, Anna Saicali, ex-CEO da B2W, Marcio Cruz e Thimoteo Barros, ex-vice-presidentes, além dos ex-diretores Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Corrêa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet e Raoni Fabiano.
De acordo com a denúncia do MPF, Gutierrez “planejou, ordenou e executou a fraude praticada nas empresas do grupo Americanas, tendo ascendência hierárquica sobre os demais denunciados”.
“Enquanto comandava as Lojas Americanas, Gutierrez estava ciente de todas fraudes praticadas, inclusive sugerindo ele mesmo alterações nos balanços que seriam anunciados”, diz trecho.
O órgão destacou ainda que o ex-CEO “executou fraudulentas manobras destinadas a manter ou elevar a cotação e o preço de valores mobiliários (especialmente ações das empresas Americanas S.A, B2W e Lojas Americanas), com o fim de obter vantagem indevida ou lucro, para si ou para outrem, ou, ainda, causar dano a terceiros”.
Na denúncia, o MPF pede para que seja fixado dano mínimo em “R$ 228 milhões para o crime de manipulação do mercado de capitais”.
Siga a leitura em: MPF denuncia executivos por fraude bilionária na Americanas
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Comentários (1)
Jose Diogo de Almeida
01.04.2025 16:33Ichi ... ITAU e SANTANDER ... vão que que atuar forte no MP e no TJ para ser livrarem desta.