Tarifa americana pressiona mercado brasileiro nesta quinta
Tarifa de 25% dos EUA ao Brasil, quedas na Ásia e na Europa e petróleo estável marcam o pregão desta quinta-feira, confira mais detalhes
Os mercados financeiros internacionais abrem esta quinta-feira (16) sob forte pressão, com o setor de semicondutores no centro das atenções.
Na Ásia, o pregão foi marcado por perdas generalizadas: a Coreia do Sul precisou suspender temporariamente parte dos negócios com ações do Kospi, que desabou 6,37%, arrastado por Samsung Electronics (-8,77%) e SK Hynix (-11,53%).
O banco central coreano também elevou os juros pela primeira vez em três anos e meio, para 2,75%, refletindo pressões inflacionárias, agravadas pela alta dos preços da energia decorrente do conflito entre Estados Unidos e Irã. Nikkei, Xangai e Shenzhen também fecharam no vermelho, enquanto apenas Hong Kong avançou.
Na Europa, os principais índices operam em queda, repercutindo uma forte realização de lucros nas ações ligadas à inteligência artificial e o receio com a continuidade do rali de ações ligadas a IA.
No Brasil, o dia começa sob o impacto da nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, no entanto, prevê uma extensa lista de 2.126 exceções, que inclui itens importantes da pauta exportadora do Brasil, como carne, café, suco de laranja e componentes para aeronaves, além de açaí e água de coco.
O tema da tarifa deve continuar pautando o câmbio e a Bolsa ao longo do dia. Para analistas, a tarifa tende a aumentar a instabilidade no mercado brasileiro ao longo do pregão, com maior pressão sobre os setores que vendem aos Estados Unidos e ficaram fora da lista de exceções.
O dólar deve seguir sensível ao tema, à medida que empresas e investidores buscam proteção, o que reforça a atenção sobre o ritmo das exportações nas próximas semanas.
Na quarta-feira, o Ibovespa recuou 0,36%, aos 176.010,90 pontos, enquanto o dólar à vista terminou o dia praticamente estável, com alta de 0,01%, cotado a 5,0785 reais. Também está no radar a divulgação das vendas do varejo brasileiro de maio, com estimativa de alta de 0,5% frente ao mês anterior.
No mercado de commodities, o petróleo opera perto da estabilidade após três sessões seguidas de ganhos. O Brent recua 0,22%, para 84,76 dólares o barril, enquanto o WTI para agosto avança 0,10%, a 79,66 dólares. O minério de ferro fechou estável em Dalian, na China, cotado a 112,23 dólares a tonelada.
O cenário segue tenso no Oriente Médio: apesar do anúncio de Trump sobre a libertação de um cidadão americano pelo Irã, gesto classificado pelo presidente como sinal de boa vontade, o risco geopolítico permanece elevado, sem perspectiva de retomada do cessar-fogo.
Já o Bitcoin é negociado na faixa de 64,6 mil dólares, com valorização também puxada pela melhora do apetite por risco após dados mais fracos de inflação nos EUA.
Nos Estados Unidos, a agenda do dia ainda trará os números de pedidos de auxílio-desemprego, estoques empresariais e vendas no varejo de junho, além do balanço da Netflix, após o fechamento do mercado.
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Comentários (1)
ISABELLE ALÉSSIO
16.07.2026 09:10👀