Roberto Reis na Crusoé: Fonteles na Fazenda — em que condições?
Para me empolgar, eu precisaria conhecer o acordo com Lula e, depois, ver o presidente cumprir a própria parte
Vejo com bons olhos uma eventual escolha de Rafael Fonteles para o Ministério da Fazenda.
Seu nome oferece diversas razões para uma recepção positiva.
A empolgação, porém, depende de informações que ainda faltam: o que ele exigiria de Lula para aceitar o cargo e como o presidente se comportaria depois de entregar a ele o comando da Fazenda.
Essa diferença interessa a quem precisa investir, contratar, financiar uma operação ou simplesmente manter um negócio funcionando. Nas mensagens que recebo de empresários e profissionais de diferentes áreas, a preocupação é bastante concreta: quais condições haverá para trabalhar no próximo governo?
Fonteles tem 41 anos, é formado em Matemática e mestre em Economia Matemática pelo IMPA.
Foi professor, empresário da educação, secretário da Fazenda do Piauí e presidente do comitê que reúne os secretários estaduais da área. Conhece a administração pública e tem experiência com a atividade privada. É uma combinação que merece muita atenção.
Sua ida à Fazenda continua sendo uma hipótese. O governador reeleito do Piauí negou ter conversado sobre cargos ou sobre a política econômica do próximo mandato.
Portanto, avaliar seu nome não significa tratar uma negociação como existente ou uma escolha como concluída.
Também convém olhar sua gestão sem a pressa de lhe atribuir um rótulo. Entre o fim de 2022 e o fim de 2025, a dívida líquida do Piauí passou de 6,89 bilhões de reais para 13,35 bilhões de reais, em valores nominais. A alíquota geral do ICMS subiu de 21% para 22,5%, com vigência em abril de 2025.
O histórico contém escolhas que precisam ser examinadas. O currículo não nos autoriza a presumir que Fonteles chegaria a Brasília com um programa de contenção de despesas já definido.
Mas sua formação e sua experiência oferecem uma base concreta para discutir economia, investimentos e parcerias com o setor privado. É isso que o mercado está olhando.
Ter um ministro que compreenda as preocupações de quem empreende é muito positivo.
Há bastante valor em poder apresentar um projeto, discutir uma concessão ou explicar o efeito de uma medida sem transformar toda conversa numa disputa ideológica.
O alcance dessa interlocução, entretanto…
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