Roberto Ellery na Crusoé: Até aqui tudo bem, mas e a aterrissagem?
O diagnóstico aqui é claro: sem mudança de rumo, teremos problemas
Em uma passagem famosa, Keynes avisa que “no longo prazo estaremos todos mortos” e que, portanto, o longo prazo é um guia enganoso para os assuntos atuais.
O alerta anima há décadas discussões entre economistas e políticos.
Mais do que explorar o conselho keynesiano, quero examinar o contrário: será o curto prazo um bom guia para o longo prazo?
Creio que essa é a pergunta central quando pensamos nas perspectivas da economia brasileira em 2026.
Os indicadores de curto prazo estão, digamos, confortáveis. A inflação segue em trajetória de queda e o mercado espera 4,4% ao fim de 2025, dentro do intervalo da meta.
O desemprego atingiu 5,4% em outubro, o menor da série histórica.
Calcula-se que o PIB tenha crescido cerca de 2,25% em 2025, menos que nos anos anteriores, mas nada desprezível num país de produtividade quase estagnada.
No entanto, quem viu o filme O Ódio (La Haine), de Mathieu Kassovitz, lembra da parábola que abre a obra: um homem cai do 50º andar de um prédio e, a cada andar que passa, repete “até aqui, tudo bem”.
O importante, porém, não é a queda; é a aterrissagem. Os bons números convivem com alertas vermelhos.
A inflação só está domada porque a Selic está em 15%. Por quanto tempo essa taxa é sustentável?
A história brasileira ensina que reduzir juros sem fundamentos fiscais costuma reacender a inflação e exigir, depois, altas ainda mais fortes.
Poucos economistas discordam que o principal fundamento a ser consertado é o fiscal.
Segundo o Tesouro, a dívida bruta deve fechar 2026 em 82,2% do PIB…
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