Roberto Ellery na Crusoé: A aposta contra a CazéTV e o custo da resistência à inovação
Seria a preocupação com as bets genuína ou parte de uma campanha para retirar do mercado uma empresa que oferecia tecnologia superior?
No começo dos anos 1990, eu fazia mestrado na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. Na época, dividia apartamento com dois paulistas que viajavam regularmente a São Paulo.
Poucas empresas ofereciam a rota de ônibus. O serviço era caro e de qualidade mediana.
Em determinado momento, uma nova empresa começou a operar o mesmo trajeto com uma relação preço-qualidade muito superior. Meus colegas passaram a viajar com ela.
A festa durou pouco. As donas do oligopólio obtiveram uma decisão judicial que barrava a entrante. Meus amigos voltaram a pagar mais caro por um serviço pior.
Nos anos seguintes, esse tipo de fenômeno, em que empresas incumbentes usam da legislação, normas regulatórias ou pressões políticas para bloquear novas tecnologias, despertou meu interesse como economista.
Influenciado por grandes nomes da área, passei a entender que esse fenômeno explica grande parte das diferenças de produtividade e, portanto, de padrão de vida, entre os países.
Edward Prescott, Nobel de Economia de 2004 (falecido em 2022), publicou na International Economic Review o artigo “Needed: A Theory of Total Factor Productivity”, no qual buscava explicar as disparidades de produtividade entre nações e apontava a resistência à adoção de novas tecnologias como um dos principais fatores.
Em tradução livre, ele escreveu: “Meu candidato para o fator é a força da resistência à adoção de novas tecnologias…
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