Rio artificial com mais de 145 km leva água a uma das áreas mais secas da região e deixa cientistas e engenheiros incrédulos
A obra mudou o acesso à água em uma região marcada pela seca
Uma longa faixa de água corta a paisagem seca do interior do Ceará, atravessa vales, passa sob montanhas e segue em direção a rios e reservatórios. O Cinturão das Águas do Ceará possui 145,3 km no primeiro trecho e combina canais, sifões e túneis para distribuir pelo estado parte da água trazida pelo Rio São Francisco.
O que é o Cinturão das Águas do Ceará?
O Cinturão das Águas é um sistema criado para ampliar o alcance da água recebida pelo Ceará por meio da Transposição do Rio São Francisco. Seu primeiro trecho começa na Barragem de Jati e termina próximo ao Rio Cariús, em Nova Olinda.
A Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará informa que o percurso possui 145,3 km. A estrutura cruza municípios como Jati, Porteiras, Brejo Santo, Missão Velha, Barbalha, Juazeiro do Norte, Crato e Nova Olinda.
O objetivo é aproximar a água das regiões do Cariri e do Alto Jaguaribe, além de melhorar o caminho até reservatórios como Orós e Castanhão.

Como a água consegue percorrer mais de 145 km?
A água percorre o primeiro trecho principalmente pela força da gravidade. O projeto aproveita as diferenças de altura do terreno para manter o fluxo sem depender de bombeamento durante todo o caminho.
O sistema reúne diferentes estruturas para atravessar o relevo:
A estrutura foi dimensionada para transportar uma vazão máxima de 30 metros cúbicos por segundo.
De onde vem a água transportada pelo sistema?
A água vem do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. Ela chega à Barragem de Jati e entra no Cinturão das Águas para seguir pelo território cearense.
O percurso principal funciona desta maneira:
- Rio São Francisco: fornece a água transportada pelo projeto federal.
- Eixo Norte: conduz o volume até o território do Ceará.
- Barragem de Jati: funciona como ponto de entrada no Cinturão das Águas.
- Cariri: recebe canais, sifões e túneis do primeiro trecho.
- Rio Cariús: marca o final da etapa entre Jati e Nova Olinda.
- Orós e Castanhão: entram na rede de reservatórios beneficiados pela integração.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional apresenta o Cinturão como uma das principais estruturas hídricas do Ceará.
Quem quer entender como o sistema leva água pelo Ceará, vai curtir este vídeo informativo do canal TV CHICO COBRA D’ÁGUA, que mostra canais, túneis e sifões do Cinturão das Águas:
Quais partes do Cinturão já conseguem receber água?
Os primeiros lotes e os túneis já permitiram testes e transferências de água por parte do percurso. O avanço ocorre por etapas, enquanto canais e sifões dos trechos finais recebem acabamento e testes.
Em março de 2026, o Governo do Ceará informou a liberação de mais 15 km para receber a água do São Francisco. Na ocasião, a execução geral havia alcançado 92%.
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O que muda para as cidades do interior do Ceará?
O Cinturão cria uma nova rota para levar água a áreas que convivem com chuvas irregulares e longos períodos de estiagem. O sistema reforça o abastecimento humano e amplia a segurança para atividades agrícolas, industriais e comerciais.
A Região do Cariri também passa a depender menos do Aquífero Missão Velha, que já apresenta sinais de pressão pelo uso elevado. A integração ainda aproxima a água de municípios atendidos por projetos de novas adutoras.
O canal não cria água, mas muda o caminho dela e reduz a distância entre o São Francisco e cidades que historicamente dependem da chegada das chuvas.
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