Por que os EUA não querem essa máquina na China?
EUA levantaram a suspeita de que uma de suas máquinas mais avançadas de fabricação de chips teria chegado ao território chinês
A fabricante holandesa ASML voltou ao centro da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China depois que integrantes do governo Donald Trump levantaram a suspeita de que uma de suas máquinas mais avançadas de fabricação de chips teria chegado ao território chinês.
A empresa nega a acusação e afirma que Washington não apresentou qualquer evidência.
Desde 2019, os Estados Unidos proíbem a exportação para os chineses das máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV), essenciais para fabricar os semicondutores mais avançados do mundo, os mesmos que alimentam os modelos de inteligência artificial mais poderosos da atualidade. Essas máquinas são produzidas apenas pela ASML.
Segundo a The Economist, em reuniões realizadas desde abril, o Secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, alertou executivos da ASML sobre a suspeita de que um desses equipamentos teria chegado ao território chinês.
A empresa nega categoricamente e afirma monitorar remotamente a localização de todas as suas máquinas já fabricadas e garante que nenhuma unidade, nem qualquer componente feito especificamente para elas, jamais foi enviada à China.
Até agora, porém, Washington não apresentou provas públicas que sustentem a acusação.
O caso ocorre em meio a uma disputa maior. Está em tramitação no Congresso americano o chamado MATCH Act, projeto que já avançou em comissão da Câmara e que ameaça proibir também a venda e a manutenção de máquinas mais antigas (DUV) na China, negócio que hoje responde por cerca de um terço da receita da ASML.
A lei ainda pressionaria países aliados, como a Holanda, a alinhar suas próprias regras às americanas.
A divergência surge porque os Estados Unidos avaliam que essas máquinas continuam sendo capazes de fortalecer a indústria chinesa de semicondutores.
Empresas como a SMIC desenvolveram técnicas de multipadronização, que usam sucessivas etapas de gravação para fabricar chips próximos da fronteira tecnológica, mesmo sem acesso às máquinas EUV.
O processo é mais caro e menos eficiente, mas, na visão de Washington, pode ser suficiente para sustentar o avanço chinês em inteligência artificial e aplicações militares. Já a Holanda argumenta que restrições ainda maiores prejudicariam a ASML sem impedir definitivamente o desenvolvimento tecnológico da China.
Enquanto isso, o governo dos EUA tem investido em alternativas à ASML, com o Departamento de Comércio aportando 150 milhões de dólares na startup xLight, que desenvolve tecnologia própria de litografia.
Precedentes recentes mostram que Washington está disposto a punir pesado. a Applied Materials pagou 252,5 milhões de dólares em fevereiro de 2026 por rotear equipamentos proibidos à China via subsidiária sul-coreana.
Para a Holanda, o episódio mostra que a ASML deixou de ser apenas uma fabricante de máquinas e passou a ocupar um espaço estratégico na disputa entre Estados Unidos e China, em que decisões comerciais têm efeitos diretos sobre segurança, política externa e liderança tecnológica.
PS: Se você quiser entender quão complexa e inovadora é a engenharia dessa disputada máquina da ASML, recomendo que assista a esse vídeo aqui!
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