China teme espionagem em chips Nvidia
China pressiona empresas locais a trocar chips Nvidia por nacionais, temendo vigilância e interferência dos EUA
A tentativa da Nvidia de recuperar bilhões em receita perdida na China com a venda de novos chips liberados pelos EUA enfrenta agora a desconfiança do próprio governo chinês.
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, autoridades de Pequim enviaram nas últimas semanas orientações a empresas locais desencorajando o uso do processador H20, especialmente em projetos ligados ao governo ou à segurança nacional.
O H20 foi criado pela Nvidia para atender às restrições impostas pelos Estados Unidos, oferecendo menos poder de processamento que os modelos topo de linha, mas com alta largura de banda de memória, característica valiosa para o segmento de inteligência artificial.
O chip continua atraente para gigantes como Alibaba e Tencent, enquanto a Huawei trabalha para produzir componentes avançados suficientes.
Apesar da reversão de Donald Trump a um bloqueio anterior e a autorização para que Nvidia e AMD retomem vendas de modelos menos avançados, Pequim quer acelerar a substituição por chips nacionais.
Segundo a Bloomberg, a orientação informal também se estende a aceleradores da AMD, como o MI308. Na prática, a medida beneficia empresas chinesas como a Cambricon, cujas ações dispararam 20% com a notícia.
O governo chinês afirma se preocupar com possíveis funções de rastreamento ou desligamento remoto nos chips estrangeiros, algo que a Nvidia nega veementemente.
Só que além dessas questões de segurança, essa diretriz também faria parte de um plano maior de fortalecimento da indústria local de semicondutores, que ainda não atingiu o mesmo patamar tecnológico da Nvidia.
Os EUA veem no chip H20 uma forma de manter a China dependente de tecnologia americana menos avançada, limitando ganhos da Huawei, por outro lado, temem que a retomada das exportações possa reforçar o ecossistema de IA chinês.
É bom lembrar que para liberar as vendas, Nvidia e AMD aceitaram repassar 15% da receita obtida na China ao governo americano. Segundo autoridades de Trump, o acordo foi ligado a negociações sobre minerais raros chineses, essenciais para a indústria tecnológica.
Por ora, as orientações do governo chinês se limitam a aplicações sensíveis, mas autoridades já discutem ampliar as restrições a outros setores.
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