“O não já temos, vamos atrás do sim”, diz senador sobre adiamento do tarifaço
Segundo o parlamentar, Câmara de Comércio dos EUA pode enviar uma carta ao governo americano pedindo a prorrogação do prazo
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) disse nesta segunda-feira, 28, que é “difícil“ ocorrer um adiamento da entrada em vigor das tarifas extras de 50% sobre os produtos brasileiros. O “tarifaço” pelos Estados Unidos está previsto para começar a valer na sexta-feira, 1º.
“A gente sabe que isso [a prorrogação do prazo] é difícil. É algo que já teve precedência nesse sentido em relação a outros países. A gente sabe que isso é difícil. Mas o ‘não’ nós já temos, vamos correr atrás do ‘sim’“, declarou Trad, em entrevista a jornalistas, em Washington, após reunião na sede da U.S. Chamber of Commerce (Câmara de Comércio dos EUA).
Os demais senadores que viajaram aos EUA para discutir o tarifaço também participaram da reunião, feita com lideranças empresariais e representantes do Brazil-U.S. Business Council.
“Foi uma reunião positiva, pragmática, saiu dali uma sugestão deles fazerem uma manifesto ou uma carta solicitando a prorrogação desse prazo [da imposição das tarifas]. Até porque precisa de previsibilidade da classe empresarial, para ela poder se adequar, principalmente produtos perecíveis. Eles ficaram sensibilizados”, relatou Trad aos jornalistas.
“Nós ouvimos também de vários setores o problema pontual de cada um. Nos dotou de elementos para que amanhã, na nossa conversa que vamos ter com os parlamentares da nossa contraparte, a gente possa argumentar mais. Mostramos para eles também que essa é uma situação ruim para o Brasil, mas muito ruim para os Estados Unidos também“.
O manifesto ou a carta seria assinada pela Câmara de Comércio e enviada às autoridades do governo americano. Trad disse acreditar que será elaborada antes de sexta-feira.
Ao ser questionado se acredita que a conversa com as lideranças empresariais pode ajudar a levar o governo americano a mudar a decisão de impor as tarifas, o senador voltou a afirmar que os parlamentares estão tentando isso. “É o que eu disse: o ‘não’ nós já temos, estamos organizando atitudes, gestos para correr atrás do ‘sim’. Se vai mexer [no pensamento do governo americano] ou não, sem a gente tentar, não vamos saber”, pontuou.
Viagem custou 500 mil reais
As passagens aéreas, seguro viagem e diárias dos senadores que foram aos Estados Unidos para discutir o tarifaço custaram quase 500 mil reais ao Senado Federal.
Foram 476,3 mil reais no total, conforme os dados disponíveis no portal da Casa. Viajaram aos EUA todos os oito membros da comissão externa destinada a manter diálogo in loco com parlamentares americanos sobre as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
Além de Trad (PSD-MS), que preside a comissão, fazem parte do grupo: Tereza Cristina (PP-MS); Marcos Pontes (PL-SP); o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA); Esperidião Amin (PP-SC); Rogério Carvalho (PT-SE); Fernando Farias (MDB-AL); e Carlos Viana (Podemos-MG).
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