“Não tínhamos pretensão de sair com problema do tarifaço resolvido”, diz Trad
Segundo o senador, grupo de parlamentares foi aos Estados Unidos para "para fazer a diplomacia parlamentar, que estava fria"
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) afirmou nesta quarta-feira, 30, que o grupo de senadores que foi aos Estados Unidos para discutir a decisão do governo americano de impor tarifas extras de 50% sobre os produtos brasileiros não tinha pretensão de voltar ao Brasil com o problema resolvido.
“Ninguém tinha a pretensão de sair daqui com isso resolvido. Então, é muito importante que isso possa ser passado de forma clara, de que a gente conseguiu abrir canal, sim, de conversa, tanto do lado republicano quanto do lado democrata, para poder mostrar que essa atitude [o ‘tarifaço’] é perde-perde. Perde o Brasil e perde os Estados Unidos”, declarou o parlamentar, em coletiva de imprensa em Washington.
Ainda segundo o parlamentar, o grupo foi aos EUA “para fazer a diplomacia parlamentar, que estava fria”. “A gente conseguiu reaquecer ela, distensionar a relação. Fomos recebidos por nove parlamentares, sendo oito democratas, um republicano, e conseguimos passar para eles a necessidade de manter esse canal de diálogo diante do caminho que vamos ter pela frente”.
Trad prosseguiu: “Então, o que de concreto estamos levando para o Brasil, em relação à nossa prerrogativa até, porque não temos como negociar, não somos do Executivo, somos do Legislativo, foi abrir caminhos para que essa relação pudesse ser azeitada e com isso facilitar na frente novas tratativas de diálogo”.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defendeu que seja organizado um encontro pelas diplomacias americana e brasileira entre os presidente Donald Trump e Lula (PT) para discutir o tarifaço.
Já o senador Esperidião Amin (PP-SC) destacou que a comitiva não saiu do Brasil “pensando que iria negociar tarifas”. “Não é papel nosso. Viemos aqui para cumprir três tarefas: primeiro, azeitar a diplomacia parlamentar”.
Outra das tarefas, disse, era ouvir autoridades e empresários americanos sobre o que pensam a respeito do Brasil, e ela foi cumprida.
“O nosso clamor para que haja prorrogação desse prazo [para as tarifas de 50% entrarem em vigor], que é um prazo absurdo, ganhou eco em todos [os empresários com quem conversaram]”, pontuou Amin.
“Eu tenho clareza de que a nossa mensagem chegou à Casa Branca. O nosso gesto de boa vontade está sendo acompanhado por todos os canais, inclusive pela embaixada em Brasília, e já conseguimos ter abertura inclusive de setores que não serão taxados”, disse Carlos Viana (Podemos-MG), por sua vez.
“Ouvimos ontem dos senadores americanos que taxar o brasil nesses setores, café, grãos, e outras áreas que eles têm dependência, seria um gol contra, ouvimos isso ontem dos senadores, um gol contra os Estados Unidos. E isso vai nos ajudar, juntamente com a posição do empresariado que está aqui”, falou também.
Empresários com quem a comitiva conversou, disse o senador, “colocaram com clareza que o Brasil precisa trazer à mesa de negociações muito mais do que apenas um pedido de não tarifas, precisa trazer novamente um diálogo de parceria com os EUA que está suspenso há pelo menos três anos”.
“E que para eles não importa o comércio com o Brasil, eles têm lucro com o Brasil. O que importa a eles é o posicionamento da diplomacia do governo brasileiro em relação às demandas que os EUA têm”, acrescentou.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Marian
30.07.2025 18:03Então porque gastar quase meio milhão do contribuinte?
Carlos Renato Cardoso Da Costa
30.07.2025 15:20Pelo menos espero que o passeio tenha sido bom.