Motorista precisava levar móveis e um ajudante na mesma viagem, ao perceber que não havia lugar na cabine, decide colocar a pessoa na caçamba para segurar a carga e fiscalização explica o que o CTB prevê
Ajudante vai na caçamba durante mudança para segurar móveis, mas a prática pode gerar multa e sete pontos na habilitação
Um motorista precisava transportar vários móveis e levar um ajudante na mesma viagem. Como a cabine estava sem lugar disponível, decidiu colocar a pessoa na caçamba para impedir que a carga se movimentasse. Ao ser abordado, ouviu dos agentes que o Código de Trânsito Brasileiro proíbe passageiros no compartimento destinado às mercadorias.
O ajudante pode viajar na caçamba da caminhonete?
A caçamba é um compartimento de carga e não foi projetada para transportar pessoas. Ela não possui assentos, cintos de segurança, apoio para a cabeça nem dispositivos capazes de proteger um ocupante durante uma colisão. Segurar nas laterais ou permanecer sentado entre os móveis não elimina essa falta de proteção.
O CTB classifica o transporte de passageiros no compartimento de carga como infração gravíssima. A conduta pode gerar multa, sete pontos na habilitação e uma medida para impedir que a viagem continue naquela condição. O ajudante precisa ocupar um assento regular com cinto ou seguir em outro veículo.
Uma pessoa pode ser usada para segurar os móveis?
O passageiro não substitui cintas, redes, calços ou pontos de ancoragem. Em uma frenagem, os móveis continuam em movimento e podem atingir o ajudante. Um armário aparentemente estável com a caminhonete parada pode tombar ao passar por um buraco, fazer uma curva ou sofrer a ação do vento.
Para evitar o deslocamento das peças, o transporte deve contar com recursos próprios:
O que deve ser conferido na amarração dos móveis
Uma carga segura depende de materiais adequados, pontos resistentes de ancoragem e medidas que impeçam o deslocamento das peças durante o percurso.
Cintas resistentes
Utilize cintas resistentes e compatíveis com o peso dos móveis transportados.
Pontos fixados à estrutura
Confirme se os pontos de ancoragem estão adequadamente fixados à estrutura da caçamba.
Calços contra deslizamento
Use calços para impedir que os móveis deslizem durante acelerações, curvas ou frenagens.
Proteção nas quinas
Proteja as quinas dos móveis para reduzir o risco de desgaste ou rompimento das cintas.
Rede para peças menores
Utilize uma rede ou sistema equivalente para conter objetos menores e partes soltas.
Peso equilibrado
Distribua o peso de maneira equilibrada sobre o veículo, evitando concentração excessiva em apenas uma região.
Revisar o tensionamento
Confira novamente o tensionamento das cintas durante o percurso, especialmente depois dos primeiros quilômetros ou se houver movimentação da carga.
A fixação deve funcionar como um conjunto: ancorar, bloquear, proteger, conter e revisar.
A falta de espaço pode ser considerada força maior?
A legislação prevê uma exceção relacionada a motivo de força maior, mas ela depende de permissão da autoridade competente e do cumprimento das condições regulamentares. O motorista não pode reconhecer essa exceção por conta própria. A necessidade de concluir uma mudança em apenas uma viagem normalmente representa conveniência, não uma situação extraordinária.
Colocar uma cadeira, almofada ou banco improvisado na caçamba também não regulariza o transporte. O veículo precisaria estar autorizado e adaptado conforme as exigências aplicáveis. Uma caminhonete particular continua limitada aos lugares indicados em sua documentação e aos assentos equipados com os sistemas obrigatórios de segurança.
Quais riscos o ajudante enfrenta durante o percurso?
Mesmo em baixa velocidade, uma parada repentina pode lançar a pessoa contra os móveis ou para fora da caminhonete. O risco não está apenas em acidentes graves. Lombadas, buracos, conversões e desvios rápidos são suficientes para deslocar a carga e provocar uma queda.
Entre os perigos presentes nessa improvisação estão:
- esmagamento entre móveis que se movimentam;
- queda sobre a pista durante uma curva;
- projeção para fora da caçamba em uma colisão;
- impacto contra a cabine ou a tampa traseira;
- ferimentos causados por quinas e peças metálicas;
- aprisionamento pelas cintas utilizadas na carga;
- exposição a galhos, placas e outros obstáculos externos.

Passageiros e móveis exigem espaços diferentes
Quando a cabine já alcançou sua lotação, a solução é fazer outra viagem ou utilizar um segundo veículo para o ajudante. Os móveis devem permanecer na caçamba, respeitando capacidade de peso, dimensões máximas, visibilidade da placa e funcionamento das lanternas. Se alguma peça ultrapassar o compartimento, outras regras de projeção e sinalização precisam ser observadas.
O problema não desaparece porque o ajudante aceitou viajar naquela posição. Passageiros precisam de assento e cinto, enquanto a carga necessita de amarração mecânica. Misturar essas funções expõe a pessoa a esmagamento e queda, além de permitir a autuação prevista para o transporte irregular em compartimento de carga.
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