Maior IPO da China em 2026 supera valor de gigante americana
Chip chinês CXMT vale mais que a Intel após estreia bilionária impulsionada pelo boom da inteligência artificial
A fabricante chinesa de chips de memória CXMT (ChangXin Memory Technologies) estreou na Bolsa de Xangai nesta segunda-feira (27) com uma disparada que redesenhou, ao menos por enquanto, o mapa de valor do setor de semicondutores.
As ações chegaram a saltar mais de 500% em relação ao preço de IPO, levando a companhia a valer mais de 3,6 trilhões de yuans, cerca de 530 bilhões de dólares, em determinado momento do pregão.
Com isso, o valor de mercado da CXMT superou o da americana Intel, avaliada em cerca de 464 bilhões de dólares, e a chinesa ultrapassou o Industrial and Commercial Bank of China, tornando-se a empresa mais valiosa listada na China continental.
A forte alta foi potencializada pelo fato de que apenas cerca de 7% das ações estavam disponíveis para negociação no primeiro dia.
A oferta pública inicial (IPO) levantou 57,92 bilhões de yuans, o equivalente a 8,6 bilhões de dólares, sendo a maior operação do tipo na Ásia em 2026. A oferta foi 212 vezes coberta pela demanda dos investidores, e o feito é descrito como a maior estreia chinesa desde a abertura de capital do Agricultural Bank of China, em 2010.
Fundada em 2016 na cidade de Hefei, a CXMT fabrica chips DRAM, memórias usadas em smartphones, computadores e servidores de inteligência artificial.
De acordo com seu prospecto de IPO, a empresa detinha 7,67% do mercado global de DRAM no quarto trimestre de 2025, atrás de Samsung, SK Hynix e Micron.
Analistas do Morningstar, citados pela agência Benzinga Inc., projetam que essa fatia pode chegar a 10% ainda em 2026, impulsionada pela demanda por infraestrutura de IA.
O caso ganhou repercussão adicional depois que a Apple passou a testar chips da CXMT para dispositivos vendidos na China, num movimento de diversificação de fornecedores em meio à escassez global de memória.
Ainda assim, uma nota de pesquisa do Bank of America Global Research de julho de 2026, citada pelo portal BigGo Finance, pondera que uma adoção maior pela Apple enfrenta obstáculos, já que a CXMT segue na lista do Departamento de Defesa dos EUA de empresas ligadas ao setor militar chinês.
O episódio reflete a estratégia de Pequim de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros diante das restrições americanas à exportação de tecnologia de ponta para semicondutores, um esforço que ganhou força com o boom de investimentos em inteligência artificial.
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