Macron sobre acordo entre UE e Mercosul: “Não pode ser assinado”
Presidente francês já havia dito que faria oposição a qualquer "tentativa de forçar" a adoção do pacto comercial com o bloco sul-americano
O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a dizer nesta quinta-feira, 18, que não apoiará o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.
“Quero dizer aos nossos agricultores, que manifestam claramente a posição francesa desde o início: consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, disse Macron, em Bruxelas, onde participará de uma reunião de cúpula do bloco.
Macron já havia dito na quarta, 17, que Paris faria oposição a qualquer “tentativa de forçar” a adoção do pacto comercial com Mercosul.
A França conta com o apoio de Itália, Polônia e Hungria para vetar o acordo.
Protestos
Milhares de agricultores europeus protestam nesta quinta, 18, em Bruxelas, contra a política agrícola europeia.
Eles alertam para a possibilidade de uma entrada maciça de produtos sul-americanos na Europa, agravada pelos receios em relação à reforma dos subsídios da Política Agrícola Comum, a qual a Comissão Europeia é acusada de querer “diluir” no orçamento do bloco.
A imprensa belga noticiou que mais de 40 organizações agrícolas europeias responderam ao apelo da Copa-Cogeca, a associação europeia de agricultores, para se manifestarem contra o acordo.
A reclamação de Lula
O presidente Lula reclamou na quarta, 17, da indecisão da União Europeia sobre o acordo.
A expectativa do governo Lula era assinar o tratado durante a cúpula do Mercosul, marcada para o próximo sábado, 20, em Foz do Iguaçu, no Paraná. O petista disse que o bloco sul-americano cedeu “tudo o que era possível”.
“Essa reunião do Mercosul era para ser dia 20 de novembro. Eu mudei para o dia 20 de dezembro, porque a União Europeia pediu, que ela só conseguiria aprovar o acordo com o Mercosul no dia 19. E eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar”, disse Lula.
“Eu vou para Foz do Iguaçu na expectativa de que eles digam sim, e não digam não. Mas, também, se [a União Europeia] disser não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles, porque nós cedemos a tudo que era possível a diplomacia ceder”, afirmou.
Na terça, 16, Lula cobrou a França e a Itália a assinarem o acordo.
O petista chegou a dizer que o presidente francês, Emmanuel Macron, está relutante em avançar com o acordo por receio de perder competitividade em produtos agrícolas e que o “povo está meio rebelde na França”.
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