Lula reclama de indecisão da UE sobre acordo com Mercosul
Segundo o petista, o bloco sul-americano cedeu "tudo o que era possível" para a assinatura do tratado de livre comércio
O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira, 17, que ainda não há consenso na União Europeia (UE) sobre o acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul.
A expectativa do governo Lula era assinar o tratado durante a cúpula do Mercosul, marcada para o próximo sábado, 20, em Foz do Iguaçu, no Paraná. O petista disse que o bloco sul-americano cedeu “tudo o que era possível”.
“Essa reunião do Mercosul era para ser dia 20 de novembro. Eu mudei para o dia 20 de dezembro, porque a União Europeia pediu, que ela só conseguiria aprovar o acordo com o Mercosul no dia 19. E eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar”, disse Lula.
“Eu vou para Foz do Iguaçu na expectativa de que eles digam sim, e não digam não. Mas, também, se [a União Europeia] disser não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles, porque nós cedemos a tudo que era possível a diplomacia ceder”, afirmou.
Na terça, 16, Lula cobrou a França e a Itália a assinarem o acordo.
O petista chegou a dizer que o presidente francês, Emmanuel Macron, está relutante em avançar com o acordo por receio de perder competitividade em produtos agrícolas e que o “povo está meio rebelde na França”.
Longa novela
Desde 2023, Lula negocia a assinatura do tratado.
No entanto, o petista tentava jogar a culpa nos franceses. “A França sempre foi o país que criou obstáculo no acordo do Mercosul com a União Europeia. Porque a França tem milhares de pequenos produtores e eles querem produzir os seus produtos. É isso”.
Mas é Lula o maior culpado pelo fracasso do acordo UE-Mercosul. Foram as decisões tomadas em seu governo que estancaram as negociações até que a janela de oportunidade se fechasse.
Histórico
O acordo foi ratificado em 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro.
Faltava, então, a aprovação pelos parlamentos dos países dos dois blocos. O que atrapalhou uma decisão rápida foram as notícias de desmatamento na Amazônia e as declarações atrapalhadas de Bolsonaro, que levaram os líderes europeus a se afastar do Brasil.
Com a posse de Lula, em janeiro de 2023, a retórica sobre o meio ambiente mudou, e os europeus demonstraram enorme boa vontade para com o Brasil.
A invasão russa da Ucrânia ainda levou os europeus a procurarem aliados no exterior. Abriu-se uma fantástica janela de oportunidade para as democracias do Cone Sul.
Mas, em vez de correr com o acordo, o governo de Lula passou o tempo todo criando obstáculos.
Em junho de 2023, o presidente reclamou de um protocolo adicional enviado pela União Europeia sobre questões ambientais. “Não é possível que a gente tenha uma parceria estratégica e haja uma carta adicional fazendo ameaças a um parceiro estratégico“, disse Lula.
Acontece que não havia ameaça alguma.
Na carta, não se ventilavam sanções ao Brasil no caso de problemas com o meio ambiente. O que havia, isso sim, era o estabelecimento de mecanismos de consultas entre as partes.
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