Juros devem cair 0,25% esta semana
Bancos projetam Selic em 14,50% mesmo com inflação acima da meta, enquanto mercado espera segundo corte de juros cauteloso do Copom
Na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária, instituições financeiras passaram a projetar queda da taxa básica de juros de 14,75% para 14,50% ao ano, mesmo com a inflação acima do teto da meta, segundo estimativas divulgadas ao longo de abril.
As projeções refletem leitura de que a atividade econômica perdeu fôlego e abre espaço para cortes graduais, ainda que o quadro de preços siga pressionado por itens voláteis.
Parte do mercado fala em ajuste de 0,25 ponto percentual nesta reunião, diante de grande incerteza e comunicação cautelosa do Banco Central, conforme consulta feita com agentes do mercado ao longo do dia.
Outro fator citado é o choque recente do petróleo, graças à guerra no Irã e fechamento do Estreito de Ormuz, que elevou custos e pode atrasar a volta da inflação para a meta, exigindo calibragem fina no ritmo de cortes dos juros.
Especialistas indicam que o ciclo não deve ser linear e pode alternar pausas e cortes, à medida que dados de serviços e expectativas se ajustem.
No câmbio, a volatilidade recente adiciona ruído ao cenário, com repasses ainda incertos para os índices de preços. Analistas também destacam que a economia ainda opera abaixo do seu potencial em vários segmentos, o que tende a moderar pressões de demanda no curto prazo.
A comunicação recente da autoridade monetária indica que suas decisões seguirão sendo baseadas nos dados recentes e cautela com a avaliação de riscos, sem sinalização de cortes mais intensos. Para investidores, a discussão gira em torno do ritmo e da duração do ciclo, além do ponto de chegada compatível com a meta.
Curvas de juros já embutem parte desse cenário, com juros mais altos cobrados nos prazos mais longos e ajustes frequentes após divulgação de indicadores. Empresas sensíveis ao crédito acompanham a trajetória da taxa básica, enquanto famílias lidam com os custos de empréstimos e financiamentos ainda altos.
No horizonte próximo, a combinação de inflação resistente, atividade mais fraca e problemas de produção ou fornecimento mantém o Copom em posição de ajuste gradual, com decisões avaliadas reunião a reunião.
Relatórios de bancos reforçam projeção de Selic em 14,50% e indicam espaço limitado para cortes adicionais no curto prazo, caso expectativas se deteriorem ou o câmbio pressione preços controlados pelo governo ao longo do semestre deste ano.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)