Jovem de 19 anos fatura mais de R$ 4 milhões por ano vendendo suporte de latinha feito em impressora 3D
Americano Mike Satterlee faturou US$ 808 mil em 2025 com a CruiseCup, que tem 160 máquinas, mas tira até US$ 1.500 por mês e reinveste o resto
O americano Mike Satterlee, de 19 anos, transformou um suporte de latinha feito em impressora 3D em um negócio que faturou US$ 808 mil em 2025. O dado foi publicado pela CNBC Make It em 14 de outubro, com base em documentos da empresa analisados pela reportagem.
Pela PTAX de fechamento de 26 de outubro de 2026, de R$ 5,5007 segundo o histórico de cotações do Banco Central, o valor equivale a cerca de R$ 4,44 milhões. A marca se chama CruiseCup e vende pelo próprio site e pelo TikTok Shop.
Do quarto de casa ao galpão com 160 máquinas
A história começa em setembro de 2022, quando Satterlee usou suas economias para comprar uma impressora de cerca de US$ 500, segundo a CNBC. Ele mora em Clifton Park, no estado de Nova York, e começou a produzir no porão da casa dos pais.

O primeiro negócio foi a Solefully, que fazia enfeites para sapatos Crocs. A empresa rendeu perto de US$ 250 mil em vendas em 2024, pela estimativa do próprio jovem citada pela CNBC. A CruiseCup nasceu depois, quando ele buscava um uso para as impressoras que sobravam, conforme relato do jornal argentino El Cronista.
O produto que puxou as vendas é um porta-latas para duas latas de 355 ml, que recarrega por cima ou por baixo. Uma postagem no Instagram viralizou em agosto de 2025 e, naquele mês, a marca vendeu US$ 100 mil, de acordo com a CNBC.
Como a impressora 3D virou linha de produção
A demanda empurrou a operação para fora do porão. Hoje são 160 impressoras, a maioria do modelo Bambu Lab A1, instaladas em um galpão alugado por US$ 3.600 por mês em Clifton Park, segundo a CNBC.
“Eu comprava lotes de 30 impressoras e ainda assim não dava conta”, contou Satterlee à CNBC. As versões de aço inoxidável passaram a ser feitas por um fabricante externo, enquanto as de plástico seguem impressas na casa. Ele também tem dois pedidos de patente em andamento.
A linha atual aparece no site oficial da CruiseCup, com modelos simples e duplos em plástico e em aço. Em casas e na construção civil, a tecnologia também avança: o leitor pode ver como funcionam as casas impressas em 3D no Brasil.
Faturamento alto não quer dizer salário alto
Os US$ 808 mil são receita bruta, ou seja, tudo o que entrou com as vendas antes de pagar filamento, máquinas, aluguel, frete, anúncios e impostos. Lucro é o que sobra depois disso, e esse número a CruiseCup não divulga.
Segundo a CNBC, a empresa dá lucro, mas Satterlee recusou informar o valor anual. Ele retira de US$ 500 a US$ 1.500 por mês e reinveste o restante em impressoras, anúncios em redes sociais e produtos novos.
Três lições para quem quer empreender com pouco
- Comece com o que cabe no bolso. O investimento inicial foi uma única impressora comprada com economias. O primeiro produto serviu de escola para operar várias máquinas ao mesmo tempo antes da CruiseCup.
- Teste a demanda nas redes antes de crescer. O salto veio de um vídeo que viralizou. Só depois disso ele ampliou o parque de máquinas e passou a terceirizar parte da produção.
- Reinvista e divida o trabalho. Com retirada baixa, o caixa vai para o negócio. “Você só chega até certo ponto tocando a empresa sozinho”, disse ele ao El Cronista. Hoje tem um funcionário em tempo integral.
O caso não é isolado. Um porta-voz da Shopify disse à CNBC que as vendas de produtos impressos em 3D na plataforma cresceram 112% entre outubro de 2025 e setembro de 2026. Para quem acompanha o tema, a pesquisa com materiais também evolui, como mostra o concreto impresso em 3D inspirado em uma esponja marinha.
Quem pensa em vender peças impressas no Brasil precisa somar custo de material, energia, desgaste das máquinas, impostos e taxas das plataformas antes de definir preço. Um contador pode ajudar a escolher o enquadramento da empresa.
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