Impacto econômico da guerra pressiona Trump a novo TACO trade
Guerra com o Irã pressiona petróleo, transporte e comércio internacional e aumenta o risco político para Trump antes das eleições
Os preços do petróleo dispararam no domingo, com o anúncio de Mojtaba Khamenei como novo aiatolá, e recuaram horas depois que Donald Trump afirmou que a guerra contra o Irã pode terminar “muito em breve”.
A declaração veio no momento em que o conflito entra em uma fase indefinida, com sinais de desgaste econômico e dúvidas dentro do próprio governo americano sobre quanto tempo a campanha militar pode continuar.
A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra instalações militares iranianas começou com a expectativa de um golpe rápido e pontual. O cálculo em Washington era que ataques intensos, combinados com pressão econômica, enfraqueceriam rapidamente o regime em Teerã.
Mas o resultado foi diferente. O Irã respondeu com uma estratégia de desgaste, baseada em ataques com drones e mísseis a países vizinhos e na ameaça de interromper fluxos de energia que atravessam o Golfo.
O ponto mais sensível é o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo. A redução do tráfego de navios e o risco de bloqueio fizeram os preços do petróleo saltarem nos últimos dias, aumentando o temor de inflação e pressão sobre combustíveis em vários países.
Nos Estados Unidos, esse efeito econômico rapidamente começou a pesar. Assessores de Trump passaram a discutir a necessidade de uma saída do conflito, temendo que uma guerra prolongada provoque reação negativa da opinião pública e impacto eleitoral.
O presidente indicou a aliados que considera a operação “adiantada” e sugeriu que os objetivos militares podem ser considerados alcançados em breve, embora a mudança de regime, meta citada por ele mesmo no início dos ataques, não pareça no horizonte.
Enquanto isso, Teerã mantém a aposta de que consegue suportar o confronto por mais tempo que Washington. Autoridades iranianas afirmaram que podem impedir o envio de petróleo do Oriente Médio caso os ataques continuem, aumentando o risco para o comércio mundial de energia.
Na terça-feira, o petróleo caiu quase 7% depois que Trump mencionou a possibilidade de desescalada, sinal de que investidores passaram a considerar plausível um encerramento rápido da campanha militar.
Mesmo assim, o cenário permanece aberto. A guerra já provocou ataques a bases americanas na região, com interrupções no transporte marítimo e pressão sobre governos que dependem de importações de energia.
O conflito no Golfo interrompeu rotas comerciais importantes entre Ásia e Europa e atingiu diretamente o transporte aéreo de cargas, responsável por mercadorias de alto valor como eletrônicos, medicamentos e itens de luxo.
O fechamento de aeroportos e o desvio de rotas aéreas reduziram cerca de 20% da capacidade de frete aéreo mundial, pressionando tarifas e criando atrasos na entrega de produtos em diversos setores.
Empresas de logística passaram a redirecionar voos e navios, enquanto companhias de transporte suspenderam operações ou desviaram cargas da região, aumentando custos e lembrando os gargalos observados nas cadeias de suprimento durante a pandemia de Covid-19.
Com isso, cresce a discussão sobre como declarar vitória e encerrar o confronto sem admitir mais um recuo, conhecido como TACO trade.
Trump deve insistir que devastou a infraestrutura militar do Irã, sua Marinha e a capacidade de produzir e lançar mísseis. O plano inicial, porém, parecia mais ambicioso.
O presidente imaginava sair do Golfo Pérsico com um Irã liderado por alguém mais simpático aos EUA. Esse cenário hoje parece distante, seja por erro de cálculo militar, seja porque os custos econômicos da guerra surgiram antes e com mais força do que a Casa Branca previa.
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