Guerra e inflação devem manter juros mais altos
Focus eleva IPCA de 2026 para 4,80% e Selic para 13%. Mercado piora projeções de inflação e juros com alta do petróleo
O mercado financeiro voltou a elevar as projeções para inflação e juros no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, após novas revisões ligadas ao petróleo, combustíveis e custos de produção.
A mediana para o IPCA de 2026 subiu para 4,80%, acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Há quatro semanas, a estimativa para a inflação de 2026 era de 4,10%. Para 2027, a projeção avançou para 4,00%, enquanto 2028 permaneceu em 3,60%.
O movimento mostra que bancos e consultorias passaram a enxergar um quadro mais persistente de alta de preços, sobretudo depois da disparada do petróleo acima de 100 dólares por barril.
As previsões para juros também ficaram mais altas. O mercado agora espera Selic de 13,00% no fim de 2026 e de 11,00% em 2027. Há um mês, parte dos analistas ainda projetava taxa de 12,25% para esse ano. A mudança ocorre num momento em que o Banco Central enfrenta dificuldade maior para iniciar um ciclo mais forte de cortes.
O crescimento esperado para o PIB segue baixo. A projeção de expansão da economia em 2026 subiu marginalmente para 1,86%, enquanto 2027 continua em 1,80%. O dólar esperado para o fim de 2026 recuou para 5,30 reais, com 2027 em 5,35 reais, apoiado pelo fortalecimento recente do real.
Outro dado que chamou atenção foi a alta do IGP-M de 2026, que passou de 3,86% para 4,66%. Já a previsão para preços administrados avançou para 4,90%, indicando aumento de custos em energia, combustíveis e tarifas públicas.
O mercado passou a considerar que esses itens podem dificultar o processo de desaceleração da inflação ao longo dos próximos meses.
As revisões, para cima, ocorreram pela sexta semana seguida para o IPCA e pela terceira semana no caso da inflação de 2027. Em fevereiro, parte do mercado ainda trabalhava com inflação abaixo de 4% no próximo ano.
O cenário mudou depois da escalada no Oriente Médio, do avanço do petróleo e da percepção de que a atividade doméstica continua relativamente aquecida e do consumo ainda resistente internamente.
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