Galípolo não seguiu o combinado com Lula?
Presidente do BC isentou seu antecessor de responsabilidade sobre a crise do Master
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo (foto), não seguiu a estratégia combinada com o presidente Lula (PT) de responsabilizar Roberto Campos Neto, ex-chefe do BC indicado por Jair Bolsonaro (PL), pelo escândalo do Banco Master, registrou O Globo.
Em reunião com o petista no Palácio do Planalto, em março, foi definido que o atual presidente da autoridade monetária culparia seu antecessor pela crise.
Contudo, em depoimento na CPI do Crime Organizado na quarta-feira, 8, Galípolo inocentou Campos Neto.
“Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos”, disse.
Galípolo também negou que o antecessor tenha atuado para impedir uma liquidação do banco de Daniel Vorcaro em 2024.
Enquanto Galípolo inocentava o antecessor, Lula afirmou ao ICL Notícias que “o Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”.
Rui Costa
Presente na reunião, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa não hesitou em responsabilizar Campos Neto pela crise do Master.
“O responsável central por essa pessoa ter virado banqueiro chama-se Campos Neto e sua diretoria do Banco Central, que, por sinal, dois diretores estão de tornozeleira por ordem judicial porque ficou comprovado que eles estavam recebendo vantagens indevidas por não fiscalizar o banco”, disse o petista à Globonews na semana passada.
Sigilo
Banco Central classificou como secretos os documentos relacionados à liquidação extrajudicial do Banco Master e impôs sigilo de oito anos sobre os processos.
A informação foi revelada pelo portal O Fator, a partir de um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI).
A decisão foi assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, em novembro do ano passado, e determina que os arquivos permaneçam sob restrição até novembro de 2033.
Segundo o Banco Central, a divulgação imediata do material poderia comprometer o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”. Na justificativa, o BC afirma ainda que os documentos contêm informações sensíveis, cuja exposição pode afetar atividades de inteligência, além de investigações e processos de fiscalização em andamento. De acordo com a autarquia, a publicidade irrestrita poderia prejudicar ações voltadas à prevenção ou repressão de infrações no âmbito do sistema financeiro.
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