“Não vai ter um salvador da pátria”, diz Galípolo sobre caso Master
Presidente do Banco Central diz que instituição vive “processo de luto” e cobra aprovação de nova legislação bancária
“Não gostaria de fazer nenhum tipo de comentário que reduzisse a consternação dentro do BC. Para todos os servidores do BC, a ética é um valor muito caro. Realmente foi um processo de luto que ainda está sendo vivenciado por todos os servidores. E eu sinto muito isso”, disse o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta quinta-feira, 26.
Ao ser questionado sobre o episódio, Galípolo rejeitou a ideia de que alguém pudesse resolver a situação. Para ele, a saída passa pelo cumprimento rigoroso das atribuições de cada servidor, sem recuos nem excessos.
“É muito importante que cada um de nós desenvolva o seu papel institucional dentro do mais absoluto rigor. Significa não recuar e não ceder sobre o que são prerrogativas e o que é o seu mandato nem um milímetro e também não exacerbar buscando algum tipo de protagonismo”, afirmou.
“Não vai ter salvador da pátria para um momento como esse. Vai ser cada um de nós fazendo o que é nosso papel institucional que vai fazer a gente passar por esse desafio que está colocado para o país”, declarou.
Galípolo também atribuiu à estrutura de decisões colegiadas do BC a capacidade de conter os efeitos das irregularidades. Segundo ele, o modelo coletivo funcionou como salvaguarda institucional diante da conduta dos dois ex-servidores afastados.
Legislação como condição para o futuro
Em outro trecho de sua fala, Galípolo voltou atenção para o que considera lacunas no arcabouço legal que rege a atuação do BC em crises bancárias. O presidente defendeu a aprovação do Projeto de Lei Complementar de resolução bancária, proposta que tramita há cerca de uma década no Congresso.
“O PLP de resolução bancária vai complementar uma década em discussão. Seria importante ter atualização de legislação que tem mais de 50 anos. E que pudesse ter ferramentas de atuação em caso de instabilidade de maneira mais rápida e com mais instrumentos”, disse o economista.
O projeto define uma sequência de responsabilidades em situações de crise: primeiro os controladores, depois os credores, e, em casos de risco sistêmico, a possibilidade de aporte emergencial do Tesouro Nacional. Esse último ponto divide o governo federal, contrário ao dispositivo, e o BC, que o defende.
Galípolo argumentou que o momento adequado para esse debate é antes de uma crise, e não durante ela.
“A história mostra que, no fim do dia, a gente tem que usar essas ferramentas. A discussão é se vamos fazer em tempos de paz e calmaria, para a gente poder debater tranquilamente. Ou se vamos ser pressionados. O BC tem pouca dúvida: quando acontece essas coisas, os olhos se voltam para a gente e a gente é obrigado a tomar decisões neste momento”, concluiu.
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Comentários (3)
Marian
26.03.2026 18:40Muito bom, mas vamos ver
Vitor Carlos Marcati
26.03.2026 18:04A única pessoa que se salva desse desgoverno é esse cidadão aí, pq o resto é pior que chorume
Beto Fully
26.03.2026 17:56Ótimo. Não teremos salvadores da pátria, mas a responsabilidade penal deverá ser aplicada nos eventuais transgressões da lei! É simples assim.