Crusoé: Volkswagen corta mais 50 mil empregos e reduz modelos
Ações da Volkswagen sobem até 9,7% em Frankfurt após aprovação do plano de reestruturação pelo conselho
O conselho de supervisão da Volkswagen aprovou, por unanimidade, nesta quinta-feira (3), o plano de reestruturação mais amplo dos 89 anos de história da montadora alemã. A proposta prevê o corte de mais 50 mil postos de trabalho no mundo todo, número que se soma ao corte de outras 50 mil vagas já previsto desde o fim de 2024, dobrando o total de reduções de pessoal em poucos anos.
Cerca de metade dos novos cortes deve atingir operações na Alemanha, e o total representa aproximadamente 8% da força de trabalho mundial da empresa. Pelos acordos vigentes na Alemanha, demissões compulsórias seguem descartadas até 2030.
O pacote, batizado de “Plano Futuro 2030”, também prevê reduzir pela metade o número de modelos oferecidos até 2035 e cortar investimentos: serão 135 bilhões de euros em gastos de capital e pesquisa entre 2027 e 2031, cifra 16% menor que a definida no ano anterior. A meta da montadora é alcançar uma margem operacional de 9% até 2030, com vendas anuais em torno de 9 milhões de veículos, um patamar próximo ao atual.
Quatro fábricas na Alemanha, Emden, Hannover, Neckarsulm e Zwickau, não têm hoje alocação competitiva de produção garantida, de forma escalonada, entre 2031 e 2034, quando os modelos atuais devem ser descontinuados.
A empresa vai buscar usos alternativos para essas unidades, mas garantiu que nenhuma será fechada de imediato. A Volkswagen reconhece hoje um excesso de capacidade equivalente a 500 mil veículos por ano na Europa.
As decisões atendem a uma cobrança da família Porsche-Piëch, principal acionista, por medidas mais rápidas diante da queda de vendas na China, dos altos custos alemães e do avanço de concorrentes chineses, como a BYD.
Representantes sindicais afirmaram que o acordo evitou uma “escalada perigosa” e destacaram que não houve concordância para fechar fábricas nem para dividir o grupo, que detém marcas como Audi, Porsche, Seat, Lamborghini e ainda os caminhões Scania.
Nesta sexta-feira, as ações do grupo Volkswagen chegaram a subir 9,7% na Bolsa de Frankfurt, a maior alta intradiária desde março de 2023, depois…
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