Volkswagen deve cortar 100 mil empregos
Maior reestruturação da história da VW prevê 100 mil demissões e fechamento de fábricas. Veja o que está em jogo para o Brasil
A Volkswagen, uma das maiores montadoras do mundo, estuda eliminar até 100 mil postos de trabalho em todo o planeta, o dobro do que havia anunciado apenas meses atrás.
A informação, publicada nesta sexta-feira (26) pela revista alemã Manager Magazin com base em fontes internas, representa a mais radical reformulação na história da empresa, que emprega cerca de 657 mil pessoas no mundo.
O presidente-executivo Oliver Blume teria apresentado um plano de reestruturação ao conselho de administração, mas o documento, segundo fontes, foi deliberadamente redigido sem um número exato para deixar margem de negociação.
Além das demissões, quatro fábricas na Alemanha seriam fechadas gradualmente: as unidades de Hanover, Zwickau e Emden, além da fábrica da Audi em Neckarsulm.
O plano ainda carece de confirmação oficial da Volkswagen, que enfrenta forte oposição sindical devido ao acordo com garantia de emprego vigente até 2030 na marca principal e até 2033 na Audi.
Blume já vem executando cortes parciais, com cerca de 19 mil vagas eliminadas até o fim de 2026, e o novo movimento representaria uma aceleração significativa da reestruturação.
A crise não surgiu do nada. No primeiro trimestre de 2026, o lucro líquido do grupo despencou 28%, para 1,56 bilhão de euros, enquanto a receita recuou 2%, chegando a 75,7 bilhões de euros.
O próprio diretor financeiro da empresa admitiu publicamente que as medidas de corte já em andamento não eram suficientes e que o futuro da companhia estava em risco.
As tarifas norte-americanas custam ao grupo cerca de 4 bilhões de euros a mais por ano, e a VW perdeu 20% das vendas na China no mesmo período, pressionada por fabricantes locais como a BYD.
Para o Brasil, o cenário gera atenção redobrada, ainda que as perspectivas locais sejam mais positivas. A Volkswagen do Brasil anunciou investimentos de 20 bilhões de reais na América do Sul até 2028 e acumula 26 milhões de veículos produzidos no país, mantendo a liderança de vendas no varejo em 2026.
A subsidiária brasileira opera quatro fábricas, em São Bernardo do Campo, Taubaté, Curitiba e São Carlos, e é a maior exportadora do setor automotivo nacional. Em 2025, a Volkswagen do Brasil elevou em 50% suas exportações, com mais de 83 mil unidades embarcadas entre janeiro e agosto.
Nenhuma das unidades brasileiras foi citada nos planos de corte. Mesmo assim, analistas alertam que uma reorganização desta magnitude na matriz pode redirecionar prioridades globais de investimento e afetar, indiretamente, o ritmo de novos modelos e aportes no país.
O futuro de uma das empresas mais conhecidas da Alemanha será decidido nos próximos meses, e o Brasil acompanha de perto cada passo.
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