Crusoé: Indústria é o setor mais exposto ao tarifaço de Trump
O impacto do tarifaço tende a ser mais setorial do que macroeconômico. Veja os setores mais afetados e as isenções
Com a confirmação do tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros, que passa a valer em 22 de julho, o foco do mercado se voltou para seus possíveis impactos sobre a economia brasileira. A avaliação predominante, porém, é de que os efeitos devem ficar concentrados em alguns setores.
Segundo estimativa preliminar da CNI, cerca de 4,2 mil produtos, somando 14,9 bilhões de dólares, por volta de 80 bilhões de reais, poderiam ser afetados. Com as isenções anunciadas, o impacto efetivo tende a ser menor, atingindo especialmente segmentos como o de etanol, máquinas agrícolas, calçados, açúcar orgânico, vestuário e diversos manufaturados.
Mas o Ministério da Fazenda pondera que o mercado americano respondeu por apenas 11% das exportações brasileiras em 2025, o equivalente a menos de 2% do PIB, e que parte relevante dessas vendas pode ser redirecionada para outros países, como já ocorreu em parte no tarifaço do ano passado.
Uma análise mais detida reforça a leitura de que o impacto do tarifaço tende a ser mais setorial do que macroeconômico, já que produtos considerados estratégicos, como carne, café, suco de laranja, petróleo e aeronaves, seguem fora da nova taxação.
Ainda assim, o efeito está longe de ser desprezível. A indústria de transformação deve concentrar a maior parte da pressão, especialmente nos segmentos de etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário e outros manufaturados de maior valor agregado, que têm menor capacidade de redirecionar sua produção para outros mercados. O aço continua sujeito a tarifas anteriores (Seção 232), enquanto o ferro-gusa ficou isento da nova taxação de 25%.
Empresas com receita relevante em dólar e forte dependência dos Estados Unidos tendem a enfrentar revisão de contratos, aperto de margens e risco de queda nos pedidos.
No mercado financeiro, a reação inicial ao anúncio, em junho, de que o governo americano apresentaria o tarifaço foi mais de cautela do que de pânico, com o Ibovespa chegando a subir mais de 1% em dias de forte repercussão da notícia.
Mesmo assim, o câmbio segue como um dos principais canais de transmissão do choque: um dólar mais valorizado encarece insumos e equipamentos importados e eleva o custo de capital para empresas endividadas em moeda estrangeira, complicando o trabalho do Banco Central em meio a um ciclo de cortes de juros já cauteloso.
Para reduzir os efeitos sobre os setores mais expostos, o governo brasileiro pode…
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