Crusoé: A guerra do delivery: iFood vs Keeta vs 99
A disputa entre gigantes do delivery no Brasil ganha novo capítulo regulatório. Entenda os conflitos entre iFood, Keeta e 99
O confronto entre aplicativos de delivery de comida ganhou um novo capítulo no último fim de semana. No domingo passado (30), a iFood protocolou uma denúncia no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, acusando a rival chinesa de praticar preços predatórios no Brasil.
Segundo suas alegações, a Keeta opera no país com prejuízo em cada pedido, bancado por dinheiro vindo diretamente da matriz chinesa Meituan, numa estratégia que visaria eliminar concorrentes para depois dominar o mercado.
Na denúncia, a iFood pediu três providências ao Cade: abertura de um processo formal, suspensão imediata da política que a empresa aponta como prática de preços abaixo do custo e acesso periódico aos dados de custos e precificação da Keeta para acompanhamento pelo órgão antitruste.
A empresa argumenta que outros países, como Emirados Árabes, Kuwait, Índia e Arábia Saudita, já tomaram medidas preventivas ou iniciaram investigações diante do mesmo modelo de expansão da Meituan, e que o Brasil corre o risco de ficar para trás na resposta regulatória.
A Keeta rebateu, classificando a ação como uma tentativa de desviar a atenção das autoridades de outra investigação que corre contra a própria iFood, relacionada a um acordo sobre cláusulas de exclusividade com restaurantes.
Para a chinesa, a rival brasileira detém posição dominante no setor de delivery e estaria com receio da concorrência. A empresa também defendeu o uso de cupons promocionais como prática comum do mercado, adotada por todas as plataformas, inclusive pela própria iFood.
Em uma terceira frente, a disputa ganhou ainda mais repercussão nesta semana, quando o Tribunal do Cade rejeitou, por unanimidade, um outro recurso apresentado pela Keeta contra acordos de exclusividade parcial firmados entre restaurantes e a 99, outra concorrente do setor, controlada pelo grupo rival chinês DiDi Global.
Na prática, esses contratos funcionariam como uma restrição seletiva. A 99 oferece investimento ao restaurante em troca de ele não operar com rivais específicas, em especial a Keeta, sem impedir o parceiro de continuar no iFood.
A empresa chama o modelo de exclusividade parcial. A Keeta trata as mesmas cláusulas como barreira de entrada, porque preservam o líder do mercado e miram quem tenta crescer na sobra. Em um dos acordos revelados neste ano, a contrapartida teria chegado à casa de 300 mil reais.
Apesar de negar esse pedido da Keeta, o relator do processo determinou que a investigação sobre todo o setor de delivery por aplicativo seja aprofundada, com a inclusão da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes como parte interessada.
A disputa reflete…
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