Cliente de supermercado tem celular de R$ 4 mil furtado de dentro de seu veículo enquanto fazia compras, a rede diz que não tem responsabilidade sobre os carros ou itens deixados nos veículos em seu estacionamento e consumidor sai no prejuízo
Entenda quando a rede pode responder e quais provas ajudam no ressarcimento
Um celular de R$ 4 mil foi furtado de dentro do veículo enquanto o cliente fazia compras em um supermercado. Ao procurar a administração, o consumidor ouviu que a rede não se responsabilizava pelos carros nem pelos objetos deixados no estacionamento. Essa resposta, porém, não encerra automaticamente a possibilidade de indenização.
O supermercado responde pelo furto no estacionamento?
A responsabilidade depende das características do local e das provas apresentadas. Quando o supermercado oferece estacionamento próprio para atrair clientes e facilitar as compras, o serviço integra a relação de consumo. O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor prevê responsabilidade objetiva por falhas de segurança, sem exigir que a vítima prove culpa direta da empresa.
- Se o estacionamento pertence ou é administrado pela rede
- Se o acesso é controlado por cancela ou vigilantes
- Se existem câmeras voltadas para as vagas
- Se o local é destinado aos clientes do estabelecimento
- Se havia sinais de arrombamento no veículo
- Se ocorreram furtos semelhantes anteriormente
O que diz a Súmula 130 do STJ?
A Súmula 130 do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a empresa responde pela reparação de dano ou furto de veículo ocorrido em seu estacionamento. O entendimento alcança inclusive vagas gratuitas, pois o supermercado obtém benefício econômico indireto ao oferecer comodidade e estimular a permanência do consumidor no local.
No caso de um objeto retirado do interior do carro, a análise pode ser mais rigorosa. A redação da súmula menciona dano ou furto do próprio veículo, mas a responsabilidade pelo celular pode ser discutida com base no dever de segurança. O consumidor precisará comprovar a presença do aparelho no automóvel, o furto e a ligação do fato com o serviço oferecido.

Quando o estabelecimento pode não ser responsabilizado?
A conclusão pode ser diferente se o veículo estava em via pública, área externa sem controle ou estacionamento aberto utilizado por qualquer pessoa, sem vínculo exclusivo com a loja. O STJ já afastou a responsabilidade de comerciantes em determinados casos de roubo à mão armada ocorrido em área aberta, gratuita e de livre acesso, por considerar o crime um evento externo ao serviço.
O furto sem violência também não deve ser confundido com roubo armado. Além disso, a rede pode contestar a existência do celular de R$ 4 mil dentro do carro ou alegar ausência de vestígios de arrombamento. Por essa razão, imagens, testemunhas, registros eletrônicos e documentos de propriedade têm peso decisivo na análise do pedido de ressarcimento.
A placa de isenção livra a rede de qualquer obrigação?
A mensagem de que o estabelecimento não responde por veículos ou pertences não afasta, por si só, os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor. O fornecedor não pode eliminar sua responsabilidade apenas colocando uma placa na entrada. Ainda assim, a existência do aviso não significa que todo desaparecimento será automaticamente indenizado, pois o fato e o prejuízo precisam ser demonstrados.
A placa de isenção livra a rede de qualquer obrigação?
- 1Boletim de ocorrência feito logo após a descoberta
- 2Nota fiscal ou comprovante de compra do celular
- 3Número de identificação do aparelho, o IMEI
- 4Registros de localização ou bloqueio remoto
- 5Fotografias de vidros, fechaduras ou portas danificadas
- 6Cupom fiscal que confirme a presença do cliente na loja
- 7Protocolos de atendimento fornecidos pelo supermercado
O consumidor ainda pode buscar o ressarcimento
O cliente deve solicitar imediatamente a preservação das imagens das câmeras, pois as gravações podem ser apagadas após poucos dias. Também é recomendável registrar a ocorrência, comunicar o furto à operadora, bloquear o IMEI e formalizar a reclamação no atendimento da rede. Se houver recusa, o caso pode ser levado ao Procon ou ao Consumidor.gov.br.
Sem acordo, o consumidor poderá avaliar uma ação judicial para cobrar o valor comprovado do aparelho. O resultado dependerá da estrutura do estacionamento, da falha de segurança e das provas de que o celular estava no veículo. A simples negativa do supermercado não determina que o cliente deva suportar sozinho o prejuízo, mas a indenização também não é automática sem demonstração concreta do dano.
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