BC reduziu Selic a 14,75%, mas vê risco elevado para inflação
Ata do Copom aponta incerteza global, expectativas acima da meta e necessidade de cautela
O Banco Central divulgou, nesta terça-feira, 24, a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que reduziu a taxa básica de juros para 14,75% ao ano, mas sinalizou que o cenário ainda exige cautela diante de riscos elevados para a inflação. A decisão marcou o início de um ciclo de cortes após um período prolongado de política monetária restritiva.
O movimento, no entanto, foi descrito como gradual. Segundo o comitê, “a redução de 0,25% é a mais adequada”, considerando o ambiente de incerteza e a necessidade de assegurar a convergência da inflação à meta. A ata destaca que o ambiente internacional se tornou mais adverso, com impacto direto sobre as decisões de política monetária no Brasil. O documento cita o agravamento de conflitos no Oriente Médio e o aumento da volatilidade global.
“O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”, destaca o documento.
Além disso, o Banco Central aponta que incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos também contribuíram para elevar os riscos no cenário externo, exigindo postura mais cautelosa por parte de economias emergentes. No plano doméstico, o Copom reconhece a desaceleração da atividade econômica, especialmente no fim de 2025, mas ressalta que o mercado de trabalho segue resiliente, com níveis historicamente baixos de desemprego e renda em alta.
Apesar de algum alívio recente, a inflação continua acima da meta, e as expectativas seguem pressionadas. O comitê indica que esse quadro torna o processo de desinflação mais custoso.“Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”
As projeções do Banco Central indicam inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no terceiro trimestre de 2027, dentro do horizonte relevante da política monetária, mas ainda exigindo acompanhamento. A ata também traz alertas sobre o cenário fiscal. O Copom afirma que a perda de disciplina nas contas públicas, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a trajetória da dívida podem pressionar a taxa de juros neutra da economia e dificultar o controle da inflação.
O documento reforça a necessidade de coordenação entre política fiscal e monetária, além de previsibilidade nas decisões econômicas. “O Comitê mantém a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas”
Mesmo com o início do ciclo de cortes, o Banco Central indica que os próximos passos dependerão da evolução do cenário. A ata afirma que a magnitude e a duração do processo de redução dos juros serão definidas ao longo do tempo, conforme novos dados forem incorporados às análises.O Copom também ressalta que seguirá atuando com “serenidade e cautela”, diante de um ambiente marcado por elevada incerteza, tanto no cenário internacional quanto doméstico.
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