Antílope reduzido a cerca de 25 mil animais nos anos 1990 ultrapassa 4 milhões e volta a formar rebanhos gigantescos nas estepes
A espécie recuperou grandes migrações na Ásia Central, mas a expansão das rotas passou a atingir lavouras, pastagens e fontes de água.
Nas estepes da Ásia Central, o antílope saiga passou de cerca de 25 mil animais nos anos 1990 para mais de 4 milhões no Cazaquistão em estimativas de 2025. O avanço recolocou grandes migrações na paisagem, mas também abriu uma disputa sobre lavouras, manejo e limites da recuperação.
Como o antílope saiga superou 4 milhões?
A recuperação ocorreu principalmente no Cazaquistão, onde censos de 2025 estimaram entre 4 milhões e 4,5 milhões de saigas. O salto representa uma mudança extraordinária para uma espécie que havia caído a dezenas de milhares após o fim da União Soviética.
Na Rússia, a estimativa citada no mesmo período chegou a aproximadamente um milhão de animais. Parte desse crescimento envolve grupos da população dos Urais, que atravessam fronteiras e percorrem longas distâncias entre áreas de reprodução, pastagem e água.

Por que a população caiu nos anos 1990?
O colapso foi provocado sobretudo pela caça ilegal e pela procura dos chifres dos machos, usados no comércio de medicina tradicional. A perda de fiscalização após a dissolução soviética acelerou a retirada de animais em uma escala difícil de controlar.
Como apenas os machos possuem chifres, a perseguição alterou a proporção entre os sexos e reduziu a reprodução. Estimativas amplamente citadas colocam a população em cerca de 25 mil indivíduos no ponto mais crítico daquela década.
Os principais marcos ajudam a dimensionar a velocidade da mudança:
Quais medidas permitiram a recuperação?
O avanço resultou de proibições de caça, patrulhamento contra o comércio ilegal e monitoramento frequente das populações. O Cazaquistão também ampliou a proteção de áreas de parto e rotas migratórias usadas por grandes grupos ao longo das estações.
A cooperação internacional ajudou a coordenar censos, combater o tráfico de chifres e manter planos de conservação. Em 2023, a espécie passou de criticamente ameaçada para quase ameaçada na avaliação global, sinal de melhora relevante, porém ainda reversível.
A retomada dependeu de ações aplicadas durante vários anos:
- restrições à caça e ao comércio ilegal;
- patrulhamento de áreas de reprodução;
- censos aéreos em regiões extensas;
- proteção de corredores migratórios;
- cooperação entre países e pesquisadores.
Como os rebanhos gigantes afetam o campo?
O crescimento aumentou o contato entre saigas e propriedades agrícolas, sobretudo perto da fronteira entre Cazaquistão e Rússia. Em 2025, cerca de 500 mil animais entraram na região russa de Saratov, onde produtores relataram lavouras pisoteadas ou consumidas durante a migração.
O conflito cria um dilema: reduzir prejuízos sem destruir uma recuperação construída por décadas. Autoridades passaram a discutir compensações, manejo populacional e proteção de cultivos, enquanto especialistas alertam que intervenções precisam considerar migração, reprodução e riscos sanitários.
Por que o focinho da saiga é tão diferente?
O focinho largo e flexível funciona como uma adaptação às estepes secas. Ele ajuda a filtrar poeira durante as migrações de verão e aquece o ar extremamente frio antes que chegue aos pulmões durante o inverno.
O antílope saiga, de nome científico Saiga tatarica, também possui pernas preparadas para deslocamentos rápidos em terreno aberto. Os grupos acompanham pastagens e fontes de água, formando concentrações muito maiores em períodos de parto e migração.
Leia também: Motorista apresentou CNH digital na blitz e acabou precisando da física antes de ser liberado
A recuperação da espécie está garantida?
Não. A população cresceu, mas permanece exposta à caça ilegal, doenças, secas, barreiras físicas e alterações no uso da terra. Em 2015, uma epidemia matou mais de 200 mil animais no Cazaquistão em poucas semanas.
A Lista Vermelha da IUCN classifica a espécie como quase ameaçada e reconhece tendência de aumento. O desafio agora é conciliar abundância, agricultura e conservação sem repetir decisões que causaram o colapso anterior.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)