Crusoé: A última carta
Moraes suspende visitas de Flávio a Jair Bolsonaro e dá novo rumo para campanha
Quando Lula foi preso em 2018, depois que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) condenou o petista no caso do triplex do Guarujá, o então ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad foi o principal interlocutor do então ex-presidente da República.
Naquele ano, Lula transformou a cela da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, em um centro de articulação política.
Entre o início da prisão e o primeiro turno das eleições, Haddad visitou Lula 21 vezes. Ao longo de mais de 400 horas de conversas, os dois discutiram os rumos da campanha do PT, estratégias eleitorais, alianças regionais, composição de palanques e até a conveniência de recorrer de decisões no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Oficialmente, Haddad ingressava na prisão como um dos advogados de Lula, condição que permitiu os encontros.
O então juiz responsável pela execução da pena, Sergio Moro, não impôs restrições às visitas nem à troca de correspondências que mantinha o ex-presidente ativo no debate político.
O cenário mudou oito anos depois. Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes endureceu as restrições impostas a Jair Bolsonaro ao proibir qualquer contato do ex-presidente com Flávio Bolsonaro.
A decisão foi motivada pela divulgação, no fim de semana, de uma carta assinada por Jair.
Para Moraes, o documento tinha conteúdo de natureza eleitoral e representava descumprimento das condições da prisão domiciliar humanitária.
O ministro também reiterou a proibição de manifestações públicas do ex-presidente, seja diretamente, seja por intermédio de terceiros.
A medida provocou desconforto até entre integrantes do STF, conforme apurou Crusoé.
Reservadamente, ministros avaliam que a leitura de uma carta por Flávio não configuraria, por si só, afronta às restrições impostas por Moraes.
O entendimento…
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