Alívio no IPCA-15 não muda cenário para juros
IPCA-15 desacelera em janeiro, mas serviços, núcleos e bens duráveis continuam pressionados, o que pode adiar queda de juros
O IPCA-15 de janeiro, uma prévia da inflação oficial do país, que mediu a variação de preços ao consumidor entre a segunda quinzena de dezembro e a primeira de janeiro, subiu 0,20%, um resultado um pouco abaixo do esperado e entre as menores leituras para o mês desde o Plano Real.
O número divulgado pelo IBGE mostrou alívio no índice cheio, mas sem trazer conforto para a política monetária. A desaceleração teve origem clara em fatores pontuais, enquanto os componentes mais persistentes seguiram pressionados.
Os preços administrados recuaram 0,10%, com a queda da energia elétrica ajudando a segurar o resultado geral. Nos itens livres, a alta de 0,31% repetiu o ritmo do mês anterior e manteve pressão fora do alcance regulatório.
Em serviços, a variação de 0,15% ficou abaixo das estimativas, mas o recuo expressivo das passagens aéreas distorceu a leitura. Sem esse item, os serviços subjacentes avançaram 0,53%, próximo do patamar observado em dezembro, e os serviços intensivos em mão de obra subiram 0,74%, indicando custos salariais ainda elevados
Nos bens industriais, a inflação veio mais forte do que o esperado, com alta de 0,64%. Bens duráveis passaram de queda para avanço, enquanto semi duráveis e não duráveis também aceleraram, sinalizando disseminação das pressões.
Esse movimento aparece na taxa de difusão, que alcançou 63%, acima das leituras recentes e indicando que mais itens do índice registraram aumento de preços.
Os núcleos de inflação reforçaram essa leitura. Apesar da leve desaceleração de um dos indicadores, a média dos núcleos acompanhados pelo Banco Central acelerou em relação a dezembro.
O grupo de alimentação também mostrou piora marginal, interrompendo a sequência de variações mais contidas dos meses anteriores.
Apesar do IPCA-15 ter vindo abaixo do esperado no índice cheio, a composição do dado joga contra um corte da taxa de juros (Selic) na reunião do COPOM dessa semana.
Isso porque o alívio veio de fatores pontuais e reversíveis, como energia elétrica e passagens aéreas, enquanto os componentes que o Banco Central costuma observar com mais atenção continuam pressionados.
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