Alemanha prevê PIB de 0,2% e sofre pressão por reformas econômicas urgentes
Institutos alertam que recuperação será frágil sem mudanças profundas na Previdência e no setor público
A Alemanha está em um “ponto de inflexão econômico”, segundo os cinco principais institutos do país.
O relatório conjunto divulgado nesta quinta, 25, em Berlim, projetou crescimento de 0,2% em 2025, contra 0,1% estimado antes. Para 2026, a previsão é de 1,3% e para 2027 de 1,4%.
Os economistas dizem que a recuperação será breve sem cortes de burocracia, reforma da Previdência e redução de custos no setor público.
O diagnóstico cita concorrência da China, tarifas dos Estados Unidos e os efeitos da guerra da Ucrânia como fatores de pressão.
A burocracia é considerada um dos maiores entraves. O país perde até 146 bilhões de euros por ano em produtividade com exigências regulatórias, além de custos diretos de 65 bilhões.
O governo prometeu cortar em 25% os gastos públicos com burocracia.
A Lei de Redução da Burocracia IV, em vigor desde janeiro, trouxe contratos digitais e eliminou exigências em processos trabalhistas. Para os institutos, o impacto ainda é pequeno.
O relatório pede também redução de pessoal na administração e digitalização dos serviços.
A proposta inclui criar uma plataforma única para empresas e adotar o princípio “digital first” em todos os trâmites.
Associações empresariais já criticaram a lentidão das mudanças.
Na Previdência, os custos vão explodir sem ajustes.
A contribuição atual de 18,6% pode subir a 22% até 2050.
Os institutos defendem reintroduzir o “fator de sustentabilidade”, desestimular aposentadorias precoces e limitar o reajuste das pensões.
O sistema de saúde também preocupa. A contribuição adicional subiu de 1,7% para 2,5% neste ano.
No comércio, os economistas pedem aprovação do acordo União Europeia–Mercosul, que criará mercado de 700 milhões de consumidores.
A China já ameaça superar os Estados Unidos como principal parceiro da Alemanha.
Na área fiscal, a emenda aprovada em março reformou o freio da dívida.
Os gastos militares acima de 1% do PIB ficaram fora do limite e foi criado um fundo de 500 bilhões de euros para infraestrutura.
O estímulo deve alcançar 9 bilhões de euros em 2025 e 38 bilhões em 2026.
Mesmo assim, os institutos dizem que gastos não bastam. Geraldine Dany-Knedlik, do DIW, comparou a economia a um “viciado que acabou de receber uma dose”.
Stefan Kooths, do Instituto Kiel, afirmou que sem reformas claras, o efeito logo se dissipará.
O desemprego deve subir de 6,0% em 2025 para 6,3% em 2026, caindo a 5,6% em 2027. A falta de mão de obra qualificada segue como obstáculo.
O governo já começou a digitalizar o reconhecimento de diplomas estrangeiros.
O “Outono de Reformas” prometido por Friedrich Merz enfrenta resistência dentro da coalizão e pressão de empresários.
O recado é claro: sem reformas rápidas, a Alemanha arrisca enfraquecimento duradouro e tensão social.
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