Agro paulista fecha 1º trimestre com saldo positivo de US$ 4,49 bi
Complexo sucroalcooleiro, carnes e produtos florestais lideraram as vendas externas de São Paulo entre janeiro e março de 2026
O agronegócio de São Paulo registrou superávit de US$ 4,49 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado de exportações que somaram US$ 6,03 bilhões contra importações de US$ 1,54 bilhão. O setor respondeu por 38,5% de tudo que o estado vendeu ao exterior no período — e por apenas 7,4% do que importou.
Os dados foram apurados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e publicados na Agência SP.
Açúcar, carnes e celulose puxam as vendas
Cinco grupos de produtos concentraram 72,9% das exportações do agronegócio paulista no trimestre.
O complexo sucroalcooleiro liderou, com US$ 1,5 bilhão — 25,6% do total —, sendo o açúcar responsável por 95,3% desse montante e o etanol pelos outros 4,7%.
O setor de carnes veio na sequência, com US$ 972 milhões (16,1%), com predomínio da carne bovina, que representou 81,7% das vendas do grupo.
Em terceiro lugar, os produtos florestais movimentaram US$ 837 milhões (13,9%), compostos sobretudo por celulose (66,2%) e papel (28,3%).
Sucos — quase inteiramente de laranja (97,2%) — e o complexo soja completaram o grupo dos cinco líderes, com US$ 534 milhões e US$ 504 milhões, respectivamente.
O café ficou na sexta posição, com US$ 418 milhões, sendo 71,7% de café verde e 24,9% de solúvel.
Nem todos os segmentos avançaram em relação ao mesmo período de 2025. Produtos florestais (+10,3%) e carnes (+9,5%) registraram alta, enquanto sucos (-41,2%), complexo sucroalcooleiro (-14,2%), café (-10,2%) e complexo soja (-10,8%) recuaram.
A nova rota do açúcar; Oriente Médio recua
A China é o principal importador do agro paulista, absorvendo 23,6% do total — com demanda concentrada em produtos florestais, carnes, fibras têxteis e soja. A União Europeia ficou em segundo (15,8%), seguida pelos Estados Unidos (9,4%). No entanto, um movimento específico chamou atenção no período.
O diretor da APTA, Carlos Nabil Ghobril, observou que, nas exportações de açúcar, a China “não aparece nem entre os cinco maiores destinos” no primeiro trimestre, enquanto “a Índia, que também é uma grande produtora e, em alguns momentos, rivaliza com o Brasil, assumiu a liderança como principal importadora”. Para Ghobril, “esse movimento evidencia uma mudança relevante nos mercados compradores desse que é um dos nossos principais produtos”.
Já as exportações para o Oriente Médio caíram 17,5% em março na comparação anual. Os embarques para o Irã acumularam retração de 8,5% no trimestre, reflexo das instabilidades logísticas associadas à guerra entre Israel e Hamas. O impacto, contudo, foi localizado e não comprometeu o resultado consolidado do período.
No ranking nacional, São Paulo ocupa a segunda posição entre os estados exportadores do agronegócio, com 15,8% de participação, atrás de Mato Grosso, que detém 20,9% do total.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)